Pitaco à Mathesis Megiste

Uma nova visão do novo

Em suas obras, existem um complexo de ideias que se auto complementam, porém nesse livro em específico, será tratado apenas de sua enciclopédia “Coleção a Sabedoria – Sabedoria dos Princípios”, que no meu entender, é o centro de toda sua filosofia. A Máthesis Megiste, da qual se referiu como conhecimento universal, que se situa além da matéria e da temporalidade, é a denominação do qual Pitágoras se referiu ao ser questionado sobre o que era, é o conhecimento mais inteligente que o próprio homem, da qual ninguém se não evoluir a tal, poderia ser digno de entendê-lo e compreendê-lo. A Mathesis é o conhecimento iniciático para além da temporalidade, os primeiros passos consistiam no fundamento, que era a Matemática, a Lógica, a arte de raciocinar e a Música. Essas três disciplinas, prepararia a mente dos iniciados para que pudessem penetrar nesse conhecimento, que é a súmula e o ápice de todo conhecimento, caminho para uns, perdido, para outros apenas ainda não revelado, mas que levaria o ser humano à nítida compreensão dos fundamentos de toda e qualquer ciência. Embora o tema “Pitágoras, Mestre de Samos” ainda possa ser matéria discutível, pela sua autenticidade, originalidade, acreditava ele que a Mathesis, é uma metalinguagem, uma unidade para compreensão das ciências universais que pode ser alcançada pelo homem. Classifica-se a linguagem do homem em quatro, sendo elas: linguagem chamada pragmáticacomum ao homem nas suas conversações quotidianas; a linguagem religiosaque é uma linguagem simbólica, metafórica e alegórica, usada nos livros religiosos; a linguagem científicana qual o homem dá, a pouco e pouco, conceitos nítidos às coisas por ele classificadas, de modo a transformar esses conceitos em verdadeiros instrumentos de trabalho; e finalmente, a linguagem divina ou filosófica,como chamam muitos, que é a da Máthesis Megiste, ápice de todas as linguagens, onde os conceitos atingem a sua máxima pureza, válidos em todos os setores do conhecimento humano, daí vem então o conceito sabedoria, que é o portador do conhecimento, conhecedor de uma linguagem que abre uma nova concepção um novo entendimento cerca da nossa realidade.

A partir da separação e compreensão da linguagem em sua máxima, vem até nós um universo que até então estava acima, um universo que, pela nossa deficiência, não conseguíamos revelar. Neste novo universo, existem como sua potência leis que o regem, não o veremos por inteiro nessa obra, porque ela tende a ser, apenas uma iniciação, para que você procure na filosofia do Mario Ferreira, realmente como um filósofo, que é o que ele propõe; filosofia não é para homens de razão, ou pessoas nascidas para isso, filosofia é para todos, fazemos filosofia, e compreendemos filosoficamente o momento todo.

Não como um sistema semelhante as matérias de razão, mas como um sistema de premissas cultivadas de forma práticas e especulativas, sob a luz da iluminação,

Nesta obra, existem trechos completos retirados da sua obra original Sabedoria dos Princípios, que precisam ser revisadas e reeditadas, retirei trechos que complementam o pensamento que eu pessoalmente, acho o caminho para um algo maior, algo que, pessoalmente não sei onde terminará.

Emerson R. Silva

Máthesis Megiste

Máthesis Megiste era a suprema instrução.Máthesis Megiste, é uma expressão dos pitagóricos, que traduzida para o nosso idioma, significa instrução suprema. Pitágoras dizia aos discípulos haver um conhecimento do qual os homens tinham uma posse virtual, atualizada em parte apenas por alguns sábios, transmissível aos discípulos, os quais, para poderem assimilá-la devidamente, seria por primeiro estarem preparados. A palavra Máthesis tem sua origem em dois radicais, maman, que significa pensamento e thesis, que significa posição. Propriamente, Máthesis quer dizer pensamento positivo e Megiste, superlativo de mega, significa máximo, ou seja: O máximo pensamento positivo.

Toda linguagem em sua essência, parte de um pressuposto, seja uma abstração ou um ente real, não existe uma linguagem que parte de uma descoberta imaginária, seja de uma singularidade ou de uma teoria ou um sonho, toda linguagem nasce de um pensamento coletivo seja este combinado ou simplesmente coletivizado, vemos hoje com o avanço das ciências históricas, que as sociedades antigas, baseavam-se na sua maioria em simbolismos, sejam eles esotéricos ou eventos naturais (natureza), e a partir de símbolos entendia o significante, desse compreendia as suas relações com o mundo real, por exemplo: de um pássaro, teriam ideia do conceito de voo, e então poderíamos construir um avião. É claro que, da ideia até o resultado existe um abismo, porém é deste modo que a humanidade vem evoluído séculos após séculos, e isto também continua ocorrendo com a linguagem, de tal maneira que é possível, alguém hoje, conversar com uma pessoa que já não está em vida, a melhor prova disto é a obra de “Robert Hutchins – A Grande Conversação”. “A tradição do ocidente está incorporada na Grande Conversação que começou no alvorecer da história e que continua até o presente dia. Quaisquer que sejam os méritos de outras civilizações em outros aspectos, nenhuma civilização é como a ocidental a este respeito. Nenhuma outra civilização pode afirmar que a sua característica definidora é um diálogo desta sorte. Nenhum diálogo em qualquer outra civilização pode se comparar a este do Ocidente em número de grandes obras do pensamento que contribuíram para este diálogo. A meta em direção a qual a sociedade ocidental se move é a Civilização do Diálogo. O espírito da civilização ocidental é o espírito da investigação. Seu elemento dominante é o Logos. Nada é para permanecer sem ser discutido. Todos devem expressar seu pensamento. Nenhuma proposição é para ser deixada sem ser examinada. A troca de ideias é considerada o caminho para a realização das potencialidades da raça. […]”.

E isso só foi e é possível por que estamos todos em uma linguagem única, ou melhor, uma metalinguagem, que fala sobre todos e tem sobre tudo a mesma perspectiva sobre o real e o irreal, divergindo apenas no comportamento em relação a eles.

Linguagens humanas segundo Mario Ferreira dos Santos

Linguagem pragmática= Linguagem comum aos homens nas suas conversações quotidianas, nesse estado, temos os homens comuns, pais de família, trabalhadores e etc. Baseia-se em relações imaginarias que são coletivizadas pelo que veem e pelo que sentem, portanto falam de futebol, paixões, trabalhos, e etc. Hoje este tipo de conversação está muito centralizado a partir do que veem nas televisões, nos rádios, internet, e a partir dessas informações que chegam a eles, qualifica-se o certo e o errado, de uma forma muito particular. Essa qualificação de certo e errado, é baseado nos conceitos aprendidos no decorrer da vida, mas principalmente nos costumes aprendidos na infância até a juventude. Esses conceitos que muito tem ligação com a religião, e não com a linguagem religiosa, pensemos então, religião como modo de viver, não entrando no mérito de qualidade ou autenticidade evangélica religiosa. O pragma também tem influência de costumes e tradições, seja ela mítica, ou coletivizada seja em âmbito familiar ou social cultural.

Linguagem religiosa= É uma linguagem simbólica, metafórica e alegórica, usada nos livros religiosos. Como total oposto da linguagem cientifica, esta linguagem não necessita de ordenança sob o que é representado. Fala ela sob aspectos poucos convencionais, e pode referir-se ao homem como uma técnica psicológica, social, e até técnica. A exemplo de melhores convívios sociais que a linguagem religiosa propõe é o segundo mandamento de Cristo, Amar ao Próximo como a si mesmo; essa questão biparte-se e pode se referir ao homem como indivíduo como o homem social, e nas duas questões ela propõe o mesmo fim. Pense um pouco mais a fundo e descobrirá.

Linguagem cientifica = No qual o homem dá, pouco a pouco, conceitos nítidos as coisas por ele classificada, de modo a transformar esses conceitos em verdadeiros instrumentos de trabalho. É o total oposto da religiosa, nele os conceitos até então heterogêneos, precisam estar ordenados de forma clara e exata do que se é representado. Indicando as propriedades definidoras dos termos fornecendo referencias quantitativa empírica. Aqui não pode como na linguagem religiosa um termo se referir-se a dois contextos, pois como cientifico pensemos como sistemas, e um sistema diferente não pode ser considerado igual de forma absoluta. Essa linguagem é a mais complicada e complexa de todas, pois demanda estudos e memorização. Como os sistemas de sociedades ideais, vemos e sabemos que ela é impossível até que todos incluídos nela, a conheça como um verdadeiro sistema e que todos os seus mecanismos sejam decorados e repetidos de forma robótica, levando o fim da linguagem pragmática, e por essa razão impossível.

Linguagem divina ou filosófica = Que é a da Máthesis Megiste, ápice de todas as linguagens, onde os conceitos atingem a sua máxima pureza, válidos em todos os setores do conhecimento humano. Daí então o conceito de Pitágoras a respeito dos saberes, como amante da sabedoria, Philos – amor, Shopia – Sabedoria, amante do saber, ou amor a sabedoria, a ideia em comum é que, ambos participam ativamente não somente da linguagem filosófica, mas procura entender e compreender as outras linguagens, já que sabedoria se dá no modo de pensar, e não em como pensar.

E se, for verdade?

Na obra Aristóteles em nova perspectiva, do Prof. Olavo de Carvalho, o mesmo mostra-nos que também em Aristóteles existe uma visão de múltiplos discursos, da qual ele chamou de Teoria dos quatro discursos: “Pode ser resumida em uma frase: o discurso humano é uma potência única, que se atualiza de quatro maneiras diversas: a poética, a retórica, a dialética e a analítica (lógica)”. Fazendo uma correlação pessoal a despeito dessas duas perspectivas, parece-me e também me parece que percebeu o autor, que, Aristóteles, também chegou a uma ciência filosófica única, diz mais o autor: “Dita assim, a ideia não parece muito notável. Mas, se nos ocorre que os nomes dessas quatro modalidades de discurso são também nomes de quatro ciências, vemos que segundo essa perspectiva a Poética, a Retórica, a Dialética e a Lógica, estudando modalidades de uma potência única, constituem também variantes de uma ciência única. […] E isto significa que os princípios de cada uma delas pressupõem a existência de princípios comuns que as subordinem, isto é, que se apliquem por igual a campos tão diferentes entre si como a demonstração científica e a construção do enredo trágico nas peças teatrais. Então a ideia que acabo de atribuir a Aristóteles já começa a no parecer estranho, surpreendente, extravagante. E as duas perguntas que ela nos sugere de imediato são: terá Aristóteles realmente pensado assim? E, se pensou, pensou com razão? A questão biparte-se, portanto, numa investigação histórico filológica e numa crítica filosófica”.

O livro em questão, refere-se a habilidade de convencimento, manipulação, a partir dos quatro discursos, e o sentido que dei nessa citação, é portanto de ciência ou modo de agir e pensar, onde você, não escolhe uma para a vida, mas está inserido em todas, e se não as dominar ou não as compreender, fará uma confusão interminável.

Não podemos cair na ideia de que, esses termos que definem como linguagem são específicos a partes da sociedade ou ações, por exemplo: A linguagem simbólica que definiu Mario Ferreira, não poderia representar somente as ideias religiosas, já que temos simbolismo, a alegoria, no cinema e nas artes teatrais, então de certa forma poderemos dizer que a linguagem religiosa como definiu Mario Ferreira, também seria ou poderia ser uma linguagem poética.

lógica (analítica), poderia ser interpretada como uma linguagem cientifica, já que toda ciência é baseado em premissas lógicas, pois somente a lógica poderia revelar o que é verdadeiro, já que, a própria tende a analisar o real, a partir do que somente e poderia ser real, divergindo assim em sua base da linguagem religiosa ou poética.

retórica é a base das linguagens humanas, onde qualquer criança ao aprender a falar, usa a imaginação para aumentar ou elevar sua retórica, partindo do que os seus pais mostram, daí a sua relação com a linguagem pragmática.

Bom, já que fizemos todas as relações dessas linguagens, a última que sobra é a dialética, que seria a linguagem filosófica, não falarei dela agora, pois esta será nosso objeto de estudo.

Homem

Como Aristóteles definiu o homem um animal político pela diferenciação com os outros animais, no sentido de ter como natural a vontade sobre o que faz e pensa, disto é possível ver o homem como criador, mas criador apenas de algo fora de si, portanto o homem não pode ser criador de si mesmo ou da materialidade que o cerca, já que o desconhece cientificamente. Vejamos então o Homem, como construtor, daí o conceito cientifico, porém o homem, não vive e nem necessita viver construindo coisas, porém intuitivamente, o homem sempre caminha e caminhará a este sentido, isto se dá por inúmeros fatores, por exemplo: o homem necessita de relações seja este para procriação ou para convivência, destas relações, há naturalmente o desejo de construção para além dele mesmo, como relações afetivas amorosas, relações sociais e profissionais, exemplo: uma pessoas sem relações tanto afetivas como sociais, geralmente é visto como uma pessoa doida, ou louca. Vemos isto na sociedade desde os primórdios da humanidade.

Já que o homem não pode ser criador, então temos trevas a respeito do próprio homem como criado. Pois alguém que não cria, não pode ser criador, podemos pensar então que, o ato de procriação é um ato de criação de um novo ser? Isto não seria possível, pois o ato de procriação é reprodutivo, uma criança nasce com as características de alguém que já nasceu, seja este, pai, mãe, avó, avô. Daí então inúmeras teorias científicas para a criação de luz em meio as trevas, mas a ciência não pode concluir como é o homem, enquanto é apenas homem, este problema é da filosofia, e até hoje, em meios tantas doutrinas filosóficas, não a uma vontade de junção ou conclusão de algo para além de suas próprias crenças, o termo universalidade, é discutido sim, porém os filósofos os pressupõe a partir do que tem como crenças. O que é compreensivo, já que o homem, é uma construção de si mesmo, caso não fosse, teríamos um manual do que somos, e como deveríamos ser ou como deveria ser a nossa realidade.

E é neste sentido, e sob este caminho que gostaria de apresentar a você leitor, a obra do MAIOR Filósofo Brasileiro, cuja genialidade era tanta, que incompreensivelmente não foi reconhecido com título de dei a ele anteriormente, já que, por falta de um alguém que compreendesse a sua ideia, a sua filosofia suprema, que procura compreender as mais sutis das objeções, um pensamento filosófico que, por falta de adjetivo, acaba parecendo arrogância, ou muita ousadia, ficou no esquecimento dos medíocres. Esta filosofia, ele denominou de Máthesis Megiste.

A máthesis, se posiciona como um caminho para a compreensão do que está acima de nós, que pode muito ser confundida com movimentos esotéricos, já que ela nasce e só pode nascer de uma compreensão de todas as linguagens ditas anteriormente. Portanto ela, como caminho para a compreensão do todo, terá como seu objeto principal, o principio (arkhé), pois a busca em torno do princípio, ou em torno da arkhé, como chamavam os gregos vai girar a sua especulação, cuja expressão encontramos no Evangelho de S. João, quando ele diz: No princípio (arkhé) era o Verbum (o Logos), e o Verbum (o Logos) estava em Deus; Logos, aqui, com o precípuo sentido de sabedoria (sophia), como o veremos oportunamente.Quer dizer, o princípio tem de naturalmente confundir-se com o que em todas as ideias religiosas é considerado Deus. Este é sempre considerado, em todas elas, como o princípio de todas as coisas. A Máthesis não se dedica a estudar Deus enquanto Deus, mas o Princípioenquanto PrincípioDistinta, portanto, é a sua especulação, sem excluir a possibilidade de se dar uma fundamentação a respeito do pensamento teológico (como linguagem religiosa).

Como estamos hoje vivendo em um mundo, onde outra vez a anarquia intelectual está dominando; quer dizer, o espírito do especialista, o desenvolvimento técnico, desenvolvimento científico e econômico fizeram, inevitavelmente os especialistas encontrar dificuldades em ter uma linguagem comum entre si, para que possam comunicar-se. Ora, no decorrer dos 25 séculos, todos os filósofos pretenderam transformar a Filosofia em Máthesis Universalis, capaz de servir de ponto de comunicação, pretenderam construir uma linguagem filosófica capaz de unificar os homens, para que pudessem entender-se pertencentes que fossem às mais várias das disciplinas. Essa é uma intenção justa, e também, como veremos mais adiante, fundada, justificada, e forçosamente temos de explicá-la, de maneira que grande parte da finalidade da Máthesis, não é apenas o conhecimento da verdade, mas, também, a busca de um instrumento, de uma linguagem apta a permitir que os homens se comuniquem, não descendo, como em geral fazem ao que é inferior (como o esporte, que serve de tema comum para homens de cultura), mas que possa encontrar-se em linguagem mais elevada do que a da sua própria disciplina, e que estaria acima, e permitiria que convergissem para um ponto comum.

Há conveniência em fazer a distinção entre a filosofia especulativa e a filosofia prática. A primeira procura estabelecer o verdadeiro e o falso, porém enquanto pensamento, a filosofia prática, como filosofia construída pelo homem na sua atividade prática, naturalmente não tende para a verdade, nem para afastar-se do que é desconveniente; ou seja, tende mais para o certo e para afastar o errado.

Quando analisamos, a evolução das ideias humanas, alinhando suas operações e vontades, à proporção que se desenvolve a linguagem filosófica alcançando os mais inteligentes pensamentos, trabalha-se com conceitos mais puros, por isso o entendimento tende para o especulativo. Quando analisado a filosofia especulativa, o resultado das operações superiores do entendimento, observado à vontade, que é determinante para qualquer movimento humano, ela tende as coisas que são para ele convenientes, não de forma oportuna ou pessoal, mas para o que naturalmente tende ao que ele acredita. São boas por isso, porque satisfazem alguma necessidade, ou vem em benefício de quem as a tem. Essa vontade impulsiona naturalmente o ser humano a toda realização prática, e nós a encontramos propriamente na prática do ser humano, e não em outros seres do nosso globo, porque estes outros seres não estão munidos de vontade. Pode-se, assim, considerar a Filosofia Prática como produto mais alto da vontade posta em ação; quer dizer, é a realização intelectual do homem sobre a sua própria prática, sobre a sua dramaticidade, sobre a sua ação ao dominar as coisas, ao organizá-las, ao possuir uma visão do seu mundo, que é, em suma, ainda, um produto da vontade. Assim o entendimento, levado às suas últimas consequências, alcança a Filosofia Especulativa, e a vontade, nas suas máximas realizações, realiza a Filosofia prática. De forma que precisamos devidamente distinguir esses dois mundos, que, situado de forma psicológica cabendo a filosofia a psicologia explicar, e que por natureza, entrará em outros campos do conhecimento, consiste em saber qual é a natureza do entendimento e a natureza da vontade, se as ambos são apenas funções de um mesmo princípio, ou se são originados de dois princípios diferentes. Nós apenas podemos dizer que os resultados, como a Máthesis demonstrará, só podem ter uma fonte: a origem é a mesma. A vontade humana tem que ter a mesma fonte, a origem tem de ser a mesma. Não pode ser explicada pela físico-química, como pretendem alguns psicólogos modernos, porque a escolha do bem, a escolha de valores, não se resolve pela físico-química. Nem podemos explicá-la pela mecânica; consequentemente, temos de buscar outra fonte, outra origem para explicar a vontade que se manifesta no homem, e que não se manifesta nos animais. Nestes, o que se verifica é a estimativa, não propriamente a cogitativa. Eles podem estimar mais uma coisa ou outra, conforme as suas conveniências, que se manifestam pelos instintos, mas nunca realizam aquela redução aos universais, com os quais trabalha à vontade, como acontece no ser humano.

Este tema é bem extenso, e como não é conveniente para nós resolvermos tal questão, prosseguiremos a partindo do pensamento de que, apenas desta distinção entre a Filosofia especulativa e a filosofia prática, aceitando, provisoriamente, como é evidente, que a primeira teria de ser, predominantemente, uma obra do entendimento, e que a prática terá que ser, predominantemente, uma obra da vontade, embora são conjuntas, não existe um abismo entre elas. Não seria correto pensar que, deveríamos dedicar a filosofia prática e deixar a filosofia especulativa, cairíamos, ao mesmo cientificismo que impera na classe intelectual de hoje. Os mesmos fundamentos especulativos deveriam ser analisados de forma prática, e o oposto também deveria ser feito. Mas como poderia ser feito essa filosofia das relações? A Dialética será precisamente neste setor, a arte de trabalhar com ambas, simultaneamente. O verdadeiro dialético será aquele que for capaz de aplicar os fundamentos da Filosofia especulativa na prática, como, por sua vez for capaz dessa ascensão da prática para o especulativo; o que for capaz da ida e da volta, capaz das operações regressivas, que se estudam na Psicologia, que se caracterizam, precisamente, no entendimento por essas duas direções: uma que parte das ideias universais para os particulares, em seus aspectos gerais, e outra que parte dos particulares para atingir as universais, não só as de primeiro, como as de segundo e de terceiro grau.

Se formos classificar o homem, veremos que a partir da diferenciação aos animais, o ponto central, é à vontade, o que em religiões chama-se livre arbítrio ou o poder de arbitrar, a partir da vontade o homem pode ir a chamadas; vidas cientificas (Homem de Ciências), vida dialética (Homem filosófico), vida poética (Religioso, Artista em sua ampla extensão), e não podem fugir da vida da qual todos pertencemos, que é a vida retórica (vida pragmática). Entendo eu, que, a retórica, como base de toda linguagem, contém de forma leviana, todas as outras, então defino ela, como base de todas, pois é a partir dela que os conceitos cientifico, poéticos, se desenvolveram, o homem sempre a teve como linguagem majoritária, o Mario Ferreira, classificou-a como linguagem pragmática, referindo-se aos conceitos e crenças da vida pessoal, que é resolvido pela retórica. Entendo como prioritário, antes de chegar a discutir sobre o princípio, separarmos e contextualizarmos essas linguagens do qual, no decorrer dos séculos, nos afastou do mesmo. Porém para a melhor compreensão, precisamos entender que, as linguagens coexistem em um mesmo universo, quando em algo damos conceitos lógicos, não exatamente diz que estamos usando uma linguagem cientifica e também não quer dizer que deve ser usada apenas por cientista. Por isso, apesar de estarmos falando do Livro Sabedoria dos princípios, vamos usar a Teoria dos quatro discursos do Prof. Olavo de carvalho para a compreensão de uma linguagem única coexistente no mesmo universo, a Mathesis Megiste.

Abstração

Para entendermos melhor como e onde cada filosofia age, precisamos entender em que universos elas estão. Para entendermos esses universos, vamos usar o termo abstração como operação para isolá-los e analisá-los; o significado comum de abstração: Operação do espirito, que isola de uma noção, um elemento, negligenciando os outros; O professor Mario Ferreira, destacou em três os graus de abstrações, ou seja, três universos onde a filosofia pode ser compreendida e esclarecida, as de primeiro grau, as que abstraímos da nossa própria existência, como conceito de mesa, conceito de cadeira, conceito de arvore, ignorando a acidentalidade do objeto ou ser, exemplo: todo cachorro será um cachorro, mesmo que metade tenha pintas brancas e a outra metade tenha pintas marrom; todas as árvores são árvores mesmo que umas deem frutos e outras flores. As de segundo grau, são as que afastam a materialidade, e consideram o aspecto quantitativo, a exemplo da matemática em seu sentido mais vulgar, em que se ignora a materialidade e a acidentalidade, sabemos que a Matemática transformou-se numa linguagem da realidade, porque podemos tomar as coisas cósmicas, afastando delas o seu aspecto material e seu aspecto acidental, e considerá-las apenas sob o aspecto quantitativo. Somos capazes, consequentemente, de matematizar o mundo. E, finalmente, as abstrações de terceiro grau, que afastam a materialidade, afastam a acidentalidade e vão considerar os aspectos formais, independentes de toda e qualquer presença das coisas concretas. A mente toma-as apenas nas abstrações máximas, como são as da Metafísica, como causa, efeito, anterioridade, objeto, gênero, espécie, sujeito e predicado, conceitos que pertencem as abstrações de terceiro grau, as quais o homem usa junto com as de primeiro grau, pois todos nós, de qualquer maneira, quer queiramos ou não, fazemos sempre metafísica.

Se, as abstrações de terceiro são operações das abstrações de primeiro grau, podemos dizer que as de segundo grau é um universo isolado? Não exatamente, primeiro precisamos desfazer a ideia de que a matemática é apenas uma matéria quantitativa, é fácil, pois, ao observar que, à proporção que a Matemática penetra na Ciência, esta se desenvolve. A Ciência aumenta o seu cabedal de conhecimento, e obtém outra tanto maior firmeza nas suas operações. O mesmo se dá na Filosofia quanto à Lógica, porque este é o gênero da Matemática, e este, é uma espécie de Lógica, como ainda teremos oportunidade de ver. A Lógica tem igual papel em relação à Filosofia, pois ela se torna cada vez mais segura à proporção que o filósofo se torna mais lógico. Quer dizer: quanto melhor manejar o filósofo a Lógica, e for senhor dela, mais e melhor manejará a Filosofia, e tirará as suas melhores conclusões.

Podemos dizer que os caminhos fundamentais do desenvolvimento de nosso conhecimento estão na Lógica e na Matemática. Por isso são elas as duas matérias fundamentais de todo curriculum clássico da Filosofia. A segurança no pensamento lógico e no pensamento matemático permite a segurança no restante do conhecimento humano. Verificamos, assim, que a Matemática, como a Lógica podem e se tornaram linguagens do nosso mundo e serviram como metalinguagem de todas as disciplinas, porque podemos reduzir todas elas, nos seus aspectos superiores, à Matemática e à Lógica. A Matemática não deve ser considerada nesse aspecto restrito que teve no Ocidente, no sentido apenas da matemática fundada nas abstrações de segundo grau, que seriam apenas as da quantidade. A Matemática, no sentido aristotélico, deveria fundar-se nas coisas abstraídas da sua materialidade e considerada na sua acidentalidade. Assim, como fomos capazes de construir uma matemática da quantidade, também poderíamos construir uma matemática da qualidade e assim sucessivamente, porque, no fundo, todos os outros acidentes, que são estudados por Aristóteles, estão de certo modo ligados a estes dois fundamentais, que são a qualidade e a quantidade, e posteriormente à relação. Quer dizer que, dentro desses três, podia-se construir uma matemática da quantidade, uma matemática da qualidade e uma matemática das relações. Quanto à matemática das relações e da qualidade poderiam perguntar se, nesse caso, teríamos de nos afastar do quantitativo? Não, porque há um aspecto quantitativo também na qualidade, como há um aspecto qualitativo na quantidade, como há o aspecto quantitativo e qualitativo também na relação. Então a matemática moderna pode penetrar como já o está fazendo, no terreno das relações, chegando até à ideia das funções, como relações de relações. Não se desenvolveu no campo da qualidade, e este foi o aspecto no qual falhou a matemática moderna. Daí a sua inaplicabilidade no campo da ciência prática, a que se refere à vida ética do homem. Assim, na Sociologia, na Economia, no Direito, na Religião, na Arte, a Matemática não ofereceu grandes contribuições, porque permaneceu apenas fundada em esquemas quantitativos. Há necessidade de se fundar na qualidade para que possa servir de instrumento, também, para manuseio desses departamentos do conhecimento humano. Para justificar uma matemática qualitativa, que mais cedo ou mais tarde terá de ser construída, como sobre todos os aspectos que se apresente a unidade, segundo o seu esquema de participação, ter-se-á de construir matemáticas correspondentes, porque consideramos que a Matemática é um instrumento, como é a Lógica, de conhecimento. Assim como a Lógica matematiza os conceitos, a matemática terá de logicizar os esquemas de participação, a cujas espécies se reduzirão todas as espécies de unidade.

O argumento de Zenão de Eléia nos oferece um exemplo, pois na quantidade, e num espaço, que pode ser potencialmente divisível, desde que consideremos apenas a extensão enquanto tal poderia chegar à ideia de infinitude. A concepção de Zenão de Eléia parte do erro de não considerar qualitativamente os passos da tartaruga, quando, na verdade, eles também o são.

Desde o momento que trabalhamos simultaneamente com a qualidade e a quantidade, o argumento de Zenão de Eléia é infantil. O erro de Zenão consiste em pensar que os passos de Aquiles se processem por pontos, quando eles se processam por totalidades que, qualitativamente, representam determinações substantivas. Quer dizer, são determinações qualitativas, que, consequentemente, dariam um número finito e, então, Aquiles superaria a tartaruga de qualquer forma. Ademais os passos de Aquiles são maiores que os passos da tartaruga e realizados num tempo menor. Compreende-se que toda argumentação de Zenão, apenas se fundava no quantitativo e a sua argumentação não estava concretamente bem fundada. Estava apenas abstratamente fundada, e até dentro dessa abstração era refutável, apenas para mostrar este aspecto.

A Matemática apenas quantitativa não pode ser aplicada aos temas sociais. Mas o retomo da teoria dos conjuntos na Matemática, que a faz volver aos pitagóricos (que a estudavam na teoria dos Plethoi), abrirá o caminho para o qualitativo, porque os conjuntos, mais dia menos dia, terão que tomar aspectos qualitativos típicos, o que permitirá a construção, não propriamente de cálculos, no sentido dos da matemática quantitativa, mas de operações outras, próprias do qualitativo, como a operação de analogia, e daí, consequentemente, a de participação, e outras, que poderão ser amanhã matematizadas.

T

Pode ser usada como operações na matemática, ética, psicologia. ermos Quantitativos
Termos Qualitativos

O caminho

Máthesis, consequentemente, tende a tornar-se também um método para que o homem alcance a sua meta, porque méth’‘ odos, em grego, quer dizer o caminho, odos, que tende para algo (meth’‘), que ascende, quer dizer, o bom caminho, caminho que permite ao ser humano alcançar o fim desejado, de maneira que a Máthesis também quer servir como um método para que o homem alcance a verdade, que lhe é proporcionada.

Quer ser, portanto, e é, uma metalinguagem, mas, como tal, ela é não só uma semântica, como também uma sintaxe. Quer dizer: não só vai analisar os conteúdos dos conceitos puros do entendimento, como vai torná-los mais rígidos, mais seguros, mais depurados da parte fática, da parte prática, da parte comum da experiência humana, para considerar na sua pureza eidética máxima, como também ser uma sintaxe, porque reunirá esses conceitos e compreenderá as interpretações, que eles possam manter entre si.

Ela tende a construir uma perfeita linguagem para servir a todos, de cima abaixo, pela via de Ascenso e pela via de descenso. E ela, consequentemente, pretende presidir a toda realidade atual, a realidade virtual, a potencial, portanto a possível e, também, a realidade impossível, porque a impossibilidade passa a ser tema importante para a Máthesis. Como decorrência, se ela tem de procurar esses fundamentos, ela tem de chegar aos princípios.

Portanto, em torno do conceito de princípio têm de se fundamentarem as primeiras especulações matéticas. Ela, para ser rigorosa, tem de ser demonstrativa, tem de ter o rigor demonstrativo máximo, chegar às demonstrações apodíticas, à construção de juízos universalmente válidos, e com deduções rigorosas desses juízos, e só assim será o que pretende ser: uma metamatemática. Por isso, tem de, fatalmente, ser uma disciplina de máximo rigor demonstrativo. Ela pode ser estudada ainda sinteticamente, analiticamente, concretamente, seguindo os três caminhos de todo estudo bem orientado.

Como vimos anteriormente, as linguagens tendem para um UNO possível, já que, elas nascem de um mesmo princípio, e é um produto da vontade do conhecer, seja especulativo seja prático, como objetivou Santo Tomas no livro introdução e objeto da Metafísica: “O homem é naturalmente inclinado a inteligir, e por consequência a conhecer”. A lógica traz a linguagem pragmática, recursos para que possa elevar-se a linguagem cientifica, assim como a metamatemática, eleva a linguagem cientifica ao universal, já que ela traz a especulação matética das possibilidades qualitativas quantitativas e as relações de ambas. Como um caminho, que para a dialética, a lógica e a metamatemática, será preciso relacionar-se, sinteticamente, analiticamente e concretamente, só então terá resquício de universalidade.

Realizada a síntese e a análise, a concreção é sempre fácil, porque o pensamento concreto é o que simultaneamente é especulativo e prático, quer dizer: que inclui o especulativo ao lado do prático, e vice-versa. Convém clarear previamente alguns conceitos, para que possamos penetrar na Máthesis, como sejam os conceitos de logos, cuja palavra grega é dificilmente traduzível, porque tem, naquela língua, várias acepções. Podemos, porém, preferir as três fundamentais: a de princípio, a de razão (sapiência, shopia), e a de lei. Essas três acepções podem perfeitamente conjugar-se. Se partirmos, por exemplo, do logos de um conceito qualquer, o logos da anterioridade, verificamos que este esquema que construímos, podemos tomá-lo na máxima eideticidade, podemos afastar do logos de anterioridade toda imagem, podemos tomá-lo numa representação puramente eidética, excluindo toda facticidade, não o considerando nem no tempo, nem no espaço, nem ontologicamente, nem axiologicamente, mas apenas com a representação da prioridade de algo para outro. O conceito de anterioridade é um conceito binário (ou dual, ou diático), porque implica, fatalmente, a presença de dois termos, que não são determinados; dois termos indeterminados, em que se afirma a prioridade de um sobre outro.

Consequentemente, o conceito de anterioridade implica o de posterioridade. Só se pode chamar de anterior àquele que tem prioridade sobre outro, que é chamado posterior. São, portanto, correlativos um do outro, porque o anterior é anterior do posterior, e o posterior é o posterior do anterior. Como correlativos, podem ser estudados nas relações.

Os logosde um conceito incluem em sua conotação uma série de outros conceitos e de juízos, que estão virtualmente contidos nele, e que somos capazes de captar e de com eles construir uma sequência de juízos. O que caracteriza, pois, o conceito de logos é ser um conceito cluso (do latim claudere, de fechar, do que recebeu cunha, do que foi tapado, fechado: quer dizer, alguma coisa que está fechada em si mesma). Esse conceito inclui tudo o que nele é cluso, tudo o que nele se incluem e, consequentemente, exclui, afasta de si, tudo aquilo que nele não pode ser incluído.

Os logosda anterioridade incluem a posterioridade, porque não se afirma eideticamente (formalmente) sem a posterioridade. Não se pode dizer que uma coisa é anterior, sem que ela tenha prioridade à outra. Se falarmos de um anterior, tem-se necessidade de falar de um posterior; quer dizer: enquanto a coisa é determinante anterior, implica necessariamente outra que não ela, que lhe seja posterior, outra que, pelo menos, seja distinta dela, e que lhe seja posterior.

Todos esses juízos, que estamos fazendo, estão inclusos nos logosde anterioridade. Os logosda anterioridade é alguma coisa que tem uma justificativa, em qualquer posição filosófica em que for tomado. Como negar a validez desses logosExaminemos as posições mais negativas como a agnóstica e a céptica, que afirmaram que o homem não pode saber com segurança algo da anterioridade e da posterioridade. O céptico terá de reconhecer que os logosda anterioridade, verdadeiramente implica a prioridade de um antecedente ao consequente, implicando necessariamente, a prioridade a outro que lhe seja distinto, outro dele, e que de certo modo seja outro que ele, o que é uma verdade per se nota. Nenhum cepticismo poderá destruí-la; não se poderá dizer que isso é apenas produto da estrutura da nossa mente, uma mera ficção. Tem uma valides de per si, por que o que tiver prioridade a outro, nós podemos atribuir-lhe a anterioridade.

Todos esses juízos que formamos em torno da anterioridade e da posterioridade, são juízos de matéria necessária, porque o que é necessário para a anterioridade ser anterioridade, sem a qual ela não é tal, faz parte de sua essência, e os juízos, em matéria necessária são todos aqueles que podemos deduzir do que constitui a essência da coisa.

Onde houver uma coisa que tenha anterioridade sobre outra, em qualquer esfera que seja, no tempo, no espaço, nos valores, na ontologia, terá, inevitavelmente, prioridade sobre outra, será primeira que outra. Será dada com certa antecedência, dentro dos logosem que está sendo considerada. Portanto, há um logo que análoga a anterioridade com a posterioridade, e é neste, precisamente, que se dá a prioridade de um sobre outro, dentro de determinado vetor.

A objeção kantiana quer fundar-se na estrutura da nossa mente. Mas essa argumentação é falha por uma razão muito simples: a anterioridade sobre a posterioridade, as relações que tivemos oportunidade de construir, inclusive os juízos que fizemos, são válidos independentemente da própria mente humana, porque a não presença desta não poderia, de modo algum, impedir que uma coisa tivesse prioridade sobre outra, fosse anterior a outra e, portanto, surgisse a relação de anterioridade. Esta verdade é per se independente da mente. De qualquer forma, se o mundo da sucessão fosse ficcional, um mundo fictício, e que, na realidade, no mundo exterior, não houvesse sucessão, e que esta pertencesse apenas ao mundo que objetivamos em nossa mente, a sucessão existiria, porque ela se daria nesse mundo objetivado por nós. E tal não impediria que as leis da anterioridade e da posterioridade, os logosda anterioridade e da posterioridade fosse válido também na ficção. Mesmo que a estrutura mental fosse a causa dele, a anterioridade e a posterioridade seriam válidas, pois regeria a sucessão na mente humana, como qualquer sucessão que se desse fora dela.

É difícil, para alguns, compreenderem, que se assim fosse, a mente humana seria criadora, e o seu resultado já justificaria a validez ontológica (ser verdadeira em si mesma), uma verdade independente de nossa mente, pois não é ela a criadora dessa verdade, mas apenas a sua reveladora.

Porque se na natureza fora de nós, não houver a anterioridade, só haveria no mundo da nossa imaginação. Não haveria no mundo real a relação de anterioridade e de posterioridade, mas apenas a simultaneidade. Mas isso não impediria que os logosda anterioridade e da posterioridade continuasse valendo de per se, de qualquer forma. Porque fora de nosso mundo, lá regeria essa lei, se lá houvesse coisas sucessivas umas às outras, ou de validez qualquer superior às outras. Se no mundo exterior houver um ente anterior a outro, obedecerá à mesma lei da anterioridade e da posterioridade. Se não houver um ente anterior a outro, essa lei é verdadeira, independente de nossa mente, porque não é ela que a criou, mas apenas ela a descobriu, pois lhe foi revelada. Da experiência de que há alguma coisa, temos certeza de que há alguma coisa, mesmo que não saibamos que fora de nós haja alguma coisa. Se formos capazes de alcançar que há alguma coisa, em nós, objetiva-se em nós o haver ontológico de alguma coisa, o que torna o haver de alguma coisa como algo real por si mesmo, não mais dependente de nós, pois somos capazes de alcançar que alguma coisa há. Se formos capazes de alcançar que alguma coisa há, alguma coisa há, ontológica e independentemente já de nós. A validez de alguma coisa há ultrapassa-nos, pois ultrapassa a nossa própria experiência e afirma a si mesma.

Se alguém é capaz de pensar em sua própria existência, prova que há alguma existência, porque esta não se deixa de ser existente pelo simples fato de ter sido criada por outro. Um dos grandes problemas da Máthesis consiste em libertarmo-nos do pensamento preso à nossa temporalidade, para podermos pensar nesses logoi, como algo que se dá na eternidade.

A Lei que vem do latim, Lex, legis, tem o mesmo radical de logos.

Principio (logos)

Causa suprema

Posterior

Posterior

Anterior

Anterior

A lei (logos) da anterioridade e da posterioridade tem validez, mesmo que não existisse nenhum ente anterior nem posterior a outro. Estas leis matéticas são leis válidas, porque, em qualquer ocasião, que surgisse um ser anterior a outro, em qualquer aspecto, prevaleceriam e regeriam as leis da anterioridade e da posterioridade.

Máthesis é uma ciência que vai estudar o objeto que está fora, inclusive da própria existência. Se não existisse nada, ainda estas leis seriam válidas, porque, em qualquer ocasião que surgisse um ser anterior a outro, em qualquer aspecto, prevaleceriam e regeriam as leis da anterioridade e da posterioridade. (A validez dessas leis prova, ainda, a impossibilidade absoluta do nihilum, do nada, corno verá).

Contudo, na Filosofia, prova-se que esse instante, em que nada foi, é impossível. Mas podemos partir por ora, para o absurdo de que o nada existiu. Ainda assim, a lei da anterioridade e da posterioridade seria válida desde todo sempre, porque bastaria surgirem coisas que tivessem prioridade umas sobre as outras, distintas de si mesmas, para essa lei regê-las. Prescindindo de toda existência, abstraindo da existência, esta lei seria válida, ela presidiria quaisquer seres que mantivessem entre si correlações de anterioridade e posterioridade. Nós quando pensamos o nada, não criamos o nada. É apenas a ideia de alguma coisa esvaziada da sua presença. Nós postulamos a ideia da qual esvaziamos toda positividade. Na meontologia, entretanto, o nada vai ter um valor muito superior ao que se dá na Ontologia clássica, porque será compreendido como princípio, e, portanto, com uma função importante, cujo esclarecimento resolverá, propriamente, todas essas dúvidas e dificuldades que a filosofia moderna colocou.

O estudo da Máthesis exige um salto qualitativo para a nossa mente, porque ela trabalha com a eternidade, e capta o eterno nas coisas passageiras e transeuntes. Na Máthesis, convive-se com um mundo que a muitos pareceria totalmente impermeável, pois vamos verificar que a nossa mente está apta a penetrar no que se julgava estar além das possibilidades normais do nosso conhecimento. É de extrema importância, o estudante compreender as preposições psicológicas, das preposições filosóficas, a psicologia pode ser filosofia, porém a filosofia não pode ser psicologia, é de suma importância entender e estar além das abstrações das construções sociais. Assim, quando se estuda à vontade na Filosofia da Psicologia, verifica-se que o ser humano tende para o bem supremo, o que se pode alcançar após rigorosa análise psicológica, e que não se aquieta não se satisfaz, nos limites comuns dos bens puramente sensíveis, dos bens de concupiscência, dirigindo-se para algo que a ultrapassasse. Esse anelo não pode ser um desejo vão, porque tem uma raiz, como tem a oréxis, na própria natureza do homem, tanto na parte somática como na parte psíquica, como o demonstrou Aristóteles, corroborado depois pelos argumentos dos escolásticos. Essa oréxis da vontade não pode ser vã, porque não há ímpetos vãos nos seres vivos, e muito menos no homem.

A verdade de que Platão falava era a verdade das arkhai, dos princípios. E essa verdade nós já a temos dentro de nós. Ela está esquecida, e nós vamos despertá-la dentro de nós. Não é a nossa mente que criou a anterioridade e a posterioridade, a mente a achou; não é o produto da estrutura da nossa mente, um subproduto mental. É alguma coisa que a nossa mente foi capaz de desvelar e descobrir. O erro de Kant foi não ter compreendido que não é produzido pela nossa mente, porque se não houvesse seres inteligentes, mesmo se prescindíssemos de toda existência, como já tivemos oportunidade de dizer, os logosda anterioridade e da posterioridade seria válido. Quer dizer, se existir alguma coisa, e houver sucessão, ou houver prioridade de um sobre outro, regerão os logoi da anterioridade e posterioridade.

Há necessidade de dar um salto qualitativo para compreender-se tal coisa. Nós temos urna experiência de nós mesmos, somos capazes de afirmar que alguma coisa há, e como somos capazes de tal, isso ultrapassa a “nossa” própria experiência: e “algo há”, pois algo há além da experiência psicológica, porque já temos uma evidenciação ontológica e ôntica daquele juízo que formulamos, mas independente no sentido matético. O que não podemos confundir é o psicológico com o matético. Se nós psicologicamente cogitamos, chegamos à conclusão da nossa existência, como vemos no cogito cartesiano, porque a cogitativa, precisamente, liga o somático ao psíquico; portanto, é a afirmação de uma experiência simultaneamente somática e psíquica, psicossomática. Podemos, pois, afirmar que alguma coisa há, porque somos capazes de pensar que algo há. Não esqueçamos que se algo se dá psicologicamente, se dá, também, ôntica e ontologicamente, porque a própria ficção, mesmo sendo só representacional, é também ôntica e ontológica.

Na Filosofia da Psicologia, a formação das ideias e dos princípios é estudada na ideogênese, que examina a gênese de nossas ideias. Naturalmente, ela o faz psicologicamente; examina como o nosso intelecto constrói essas ideias. Aqui há certa divergência entre o pensamento de Aristóteles e o de Platão, porque este afirma que a nossa mente, à proporção que constrói essas abstrações, desvela-se a verdade matética, que se coloca fora da mente humana, e que já independe desta. Aristóteles, que, na verdade, não nega essa posição platônica, senão aparentemente, não fala no apofântico, mas aceita que a nossa mente, na sua ascese abstrativa, alcança as verdades superiores, que também despontam para ela, e não só abstratamente, como veremos mais adiante, pois a mente humana é apta para alcançar o primeiro princípio. Santo Tomás concilia os dois pensamentos, por que aceita essa iluminação (apophansis).

Para Aristóteles, os sentidos não são propriamente a causa do conhecimento, mas o seu ponto de partida, como também os próprios conceitos do entendimento ativo são as espécies expressas que passam ainda a ser instrumentos para o intelecto trabalhar, com elas. Agora, o que é importante para nós, é estabelecer esse salto que todos precisam sentir dentro de si. Na verdade, não o alcançamos apenas através do raciocínio; alcançamos, também, através de uma iluminação (apophansis).

Na Mathesis, verifica-se que todas as suas leis são simultâneas, como na filosofia especulativa, onde também se alcança a simultaneidade, porque o último ápice da especulação é libertar-se de toda temporalidade, chegar às conceituações mais puras. Alcança-se a simultaneidade, pois as leis matéticas são coexistentes com o primeiro princípio de todas as coisas. Se nós partimos de Deus, essas leis matéticas vão constituir o pensamento desse Deus. Nós, na ideogênese, vamos conquistá-las ou elas vão se desvelar para nós no tempo. Não passam, porém, a existirem no momento de sua revelação, elas apenas passam a ser para nós no momento da revelação. São independentemente de nós. Agora temos que alcançar também uma validez matética, como se fosse paralela, a validez, por exemplo, de nossa afirmação: “Alguma coisa há” é válido psicologicamente, porque nós podemos construir que alguma coisa há; segundo, é válido ontologicamente também, e é válido onticamente, porque a mera colocação, por alguém, de que alguma coisa há, prova que alguma coisa há efetivamente. A Máthesis procura especular, primeiramente, sobre os princípios e, posteriormente, sobre os primeiros, os princípios tomados universalmente e depois particularmente. O princípio implica uma anterioridade ontológica, a qual pode ter prioridade num aspecto, e pode ser simultânea noutro. No fundo, dentro da duração, os princípios são simultâneos com toda existência, com tudo quanto há. Dentro da duração das coisas, dentro da permanência do ser, os princípios matéticos são simultâneos. Nós podemos compreendê-los independentes de o próprio ser. Digamos que estivéssemos em pleno nada. Mas se alguma coisa surgisse nesse nada, essa alguma coisa se regeria pelos logoi matéticos. Se houverem alguma coisa, e essas coisas mantiverem uma anterioridade, uma prioridade sobre outras, em qualquer vetor que seja a lei da anterioridade regerá essa correlação.

Agora, além do lógico, do psicológico, do gnosiológico, do ontológico e do ôntico, “alguma coisa há” é válido mateticamente, independente já do tempo, independente de todo aquele ser que pensou em “alguma coisa há”.

Não é porque um ser pensou que alguma coisa há que, nesse instante, mateticamente, “alguma coisa há” passou a ter valor de ser, mas isso já havia independentemente dele, o que vem comprovar que alguma coisa há independe do nosso “alguma coisa há”. Como a lei da anterioridade e posterioridade independem de nossa ideogênese para constituir-se um logo do posterior e do anterior; essa lei valia desde sempre. Podemos chegar à conclusão que esta lei já se dava, independentemente de nós. Mesmo que nenhum ser fosse capaz de pensar na anterioridade e na posterioridade, as leis correspondentes já seriam válidas.

Quando o ser humano descobre uma lei científica, ele, propriamente, não a inventa. Ela lhe é revelada pela regularidade dos fatos. Só aqueles que não compreenderam a diferença que há entre a nossa imaginação criadora e a captação da ciência poderiam julgar que os dois processos são o mesmo. As precauções, que a Ciência aconselha para a formulação das leis, revelam o máximo cuidado no intuito de desfazer essa confusão que, no estado atual do conhecimento humano, pouco honra a quem novamente a fórmula. A lei científica desvela-se para nós. Quer dizer, ela se dá, tem seu fundamento independentemente de nós, e quando nós a captamos, ou seja, quando ela se torna evidente para nós, é que lhe damos nossa formulação, que dela se aproxima mais ou menos. A nossa formulação é um esquema proporcionado a nós pela lei que nos cabe conhecer. A ciência das coisas já está dada; a verdade das coisas já está aí. Nós estamos apenas procurando. Por isso é que dentro da Máthesis o ser humano passa a ser a figura que Pitágoras classificou, e que passou, a ser chamada “o homem peregrino”, o peregrino em busca do conhecimento.

homo viator é o viandante em busca do saber. As verdades que ele irá encontrando vão tornando-se verdades para ele, mas elas, por si, já são verdades, independentes dele.

Quanto à questão de sabermos se nossa vida tem ou não uma finalidade é tema que posteriormente se poderá discutir, e veremos que ela a tem. O que pode acontecer é que certas pessoas tenham perdido o conhecimento dessa finalidade, e tenham talvez obscurecido a sua mente com outras razões históricas, que são facilmente compreensíveis, as quais não lhe tenham permitido visualizar nitidamente quais são as finalidades do ser humano. Este é o tema escatológico, o tema dos fins, que pertence à Teologia, mas que também pertence à Ética e até à Psicologia. Que o ser humano, por não encontrar uma razão de ser de si mesmo, possa chegar à afirmação do nada absoluto, ele o fará por um erro operacional do seu espírito; errará como operador, por que o nada absoluto já está descartado. Já que há alguma coisa; há, pelo menos, esse ser que desespera; há, pelo menos, este ser que não encontra a sua razão; há pelo menos, este ser que é capaz de pensar sobre o nada, que é capaz de colocar ante si uma ideia negativa, e quer analisá-la; uma ideia da qual ele despoja de toda e qualquer positividade, e que passa a ser objeto de sua especulação. Tudo isso vem provar que o nada absoluto não se coloca; o que realmente se coloca para ele é a especulação em torno do nada relativo, tema que passará a ser objeto da Meontologia, na Mathesis, que é a parte que estuda o Meon, o não ser, que examina precisamente as oposições, e toda especulação que se realiza em torno do não ser, em função do próprio ser, em função da análise que a Ontologia faz que é estudar as divisões e propriedades do ser, que constituem propriamente, o objeto da Ontologia, enquanto que o da Meontologia é o inverso. Naturalmente não vai estudá-lo nas suas divisões, senão nas maneiras como a mente humana pode construí-las, e não estuda as suas propriedades, porque o não ser não pode ter propriedades, pois se as tivesse deixaria de apresentar-se como não ser, para tornar-se um portador de propriedades, e, portanto, um ser. Ele é objeto de especulação sem dúvida, e se é tal, tem algum fundamento, o qual deve ser procurado.

Existe essa possibilidade real? Como poderia se ordenar?

O que propõem Mario Ferreira, é um avanço tanto intelectual quanto espiritual, ele propõe algo que está acima do simples ser, ter, ver. Não considerado no espaço nem no tempo, é ontológico, psicológico e filosófico. A filosofia é no meu entender, uma operação da mente, portanto uma ciência mental, que como todas ciências precisa a partir de premissas, ou regras básicas. Como não somos nossa própria criação, ou seja, não criamos a nós mesmo, somos criação de algo que independe de nós mesmo, assim como no livro do Gênesis – 28. Nos foi dado o poder, a potência, que independe da própria criação. Os animais, que só fazem aquilo que pelo “instinto” lhe foi programado, não são portadores de ciências, não podem criar para além daquilo que a própria consciência deles permite. Nós seres humanos, temos o poder de escolha sobre tudo e todos, é individual e coletivo, é completo e ainda sim e preenche. Como somos independentes, temos meios de compreender o todo que estamos inseridos, podemos olhar a nós de modo a nos ver, somente usando o poder de nossa imaginação, podemos programar e reprogramar respostas, conjecturar futuros, induzir o nosso meio ao que nos é conveniente. Por exemplo, tudo isso que vos escrevo vem de minha imaginação, claro que, sempre a comparando com o real, o material, o visível, fazendo comparação com outros pensamentos, e concluindo intuitivamente com base em premissa de outros escritos, que somos independentes da criação, da nossa natureza. Somos uma construção de nós mesmo. Se você está lendo até aqui, compreendeu que para prosseguir é preciso deixar de lado por agora os nossos dogmas, e aceitar como premissas todas essas que você irá ler, falo isso para uma maior compreensão do próprio assunto em questão.

A Décima ciência. O começo do Fim.

Mathesis, que pretendemos reconstruir, é a décima ciência, a suprema instrução de que falavam os pitagóricos, a contemplação sapiencial de São Boaventura. Partimos de um postulado que, no decorrer do tempo o demonstraremos, e que também é fundamental na nossa posição filosófica. “Na Filosofia não há questões insolúveis, há apenas questões mal colocadas”, e a aparente insolubilidade, que nela observamos, é provocada por filósofos que colocaram mal esses problemas, de modo a deixá-los numa situação de insolubilidade e, como consequência, aporias praticamente invencíveis. Se observarmos o progresso que tem havido na ciência moderna, sabemos que ele é devido, em grande parte, a esta disciplina instrumental de tanta utilidade que é a Matemática. A simplificação dos cálculos como se obtém nela, a solução de uma série de problemas que pareciam difíceis e até insolúveis, e que hoje se tornam fáceis, vemos que tudo isso foi adquirido, não através da complexidade, mas através da simplificação. Newton chegava a resultados matemáticos espantosos, que causavam espécie a seus contemporâneos. Admiravam-se como podia ele chegar a resultados tão complexíssimos de cálculo. Só posteriormente revelou possuir meios hábeis que lhe permitiam fazer tais cálculos com a máxima eficiência e rapidez. Hoje, por exemplo, observa-se, graças ao estudo dos conjuntos, a clareza que a Matemática obteve. Hoje é acessível a qualquer pessoa, até àqueles que manifestavam aversão por ela, e nela encontram um prazer imprevisto. É de esperar, portanto, que venhamos a ter maior número de conhecedores da Matemática, graças à parte didática e à clareza que ela vai obtendo. A Matemática é uma linguagem, que permite a sua aplicação no mundo corpóreo, no mundo das coisas materiais. Fundando-se ela nas abstrações de segundo grau, como vimos, e podendo despojar-se das condições materiais, serviu de instrumento para ligar o mundo das abstrações de terceiro grau, que é o mundo da Metafísica. De modo que a Matemática é uma disciplina também especulativa, permanecendo dentro do âmbito da Filosofia especulativa. Verifica-se, assim, que ela também tem uma função de metalinguagem, porque consegue substituir, em parte, a linguagem que corresponde às ciências que se formam sobre as espécies especialíssimas, que são abstrações de primeiro grau, as que têm correspondência imediata com indivíduos existentes, cronotopicamente, sobretudo como os da Física. Ela prescinde das diferenças formais que distinguem entre si os objetos das diversas ciências, para tomá-los num aspecto que é comum. Daí tornar-se um veículo extraordinário para o desenvolvimento da Ciência, pois está só se desenvolve onde se usam e se empregam os métodos da Matemática, como pretendiam os pitagóricos que se fizesse, e os fatos comprovam esta afirmativa. As ciências, que tiveram maior progresso, foram aquelas que permitiram a matematização dos seus objetos. Quando Pitágoras percebeu que a Matemática tinha essa função de metalinguagem, e como ela estava, naturalmente, apenas ligada ao quantitativo, ao que os gregos chamavam de logistikê, a matemática de cálculo desejou criar uma que ultrapassasse o quantitativo, que abrangesse o qualitativo, e o relacional, além de outros aspectos, a fim de se tornar, uma metalinguagem de todas as ciências. No pensamento secreto, fala-se de várias linguagens: a do homem comum, que é a linguagem pragmática, a das ciências, que pertence às diversas disciplinas, com seus objetos particulares, a linguagem religiosa, que é a simbólica, fundada na analogia, e, finalmente, a que chamavam de divina, que era precisamente a que atingia o mais alto grau, a linguagem da metamatemática. Esta seria para o homem a linguagem da Suprema Instrução, do supremo conhecimento. Nela se fundaria a Máthesis Megiste, Suprema Instrução, Máthesis Suprema, que caberia ao filósofo alcançar. O filósofo nada mais era que o homem amante desse saber supremo, dessa sophia, que procurava por vários caminhos (métodos) alcançar. Foi esta a resposta que Pitágoras deu a um tirano, que certa ocasião lhe perguntou quem ele era: sou um amante da sabedoria (phi/osophos), sou um viandante, que busca essa sabedoria.”

Graças ao grande desenvolvimento da Matemática, o homem moderno acostumou-se ao trabalho abstrativo, que hoje é mais fácil de realizar. A linguagem humana é alguma coisa que surge por uma necessidade do homem de comunicar-se com seus semelhantes. As palavras têm intencionalidade, são convencionadas na linguagem comum, porque empregamos termos para que os outros entendam o que pretendemos dizer com eles. De maneira que a linguagem comum, a linguagem, que desde criança desenvolvemos, faz parte da nossa pragmática; quer dizer, ela pertence ao pragma da vida humana (Pragma que é o termo que indica o conteúdo das práxisda ação humana, das realizações humanas). Ora, a palavra meramente pragmática não serviria como instrumento para a ciência, devido às acepções vulgares. Graças ao estudo dos linguísticos, sobretudo dos séculos XIII, XIV, XV e antes mesmo, nas suas famosas gramáticas especulativas, que estudavam, na pragmática da língua, as intencionalidades, o que elas apontam, verificou-se que há uma universalidade intencional.

A semântica é aquela parte da pragmática especulativa que estuda os significados; ou melhor, as acepções dos termos verbais.

Podemos observar que, tomando uma palavra isolada, esta pode não nos dar um sentido; assim, a palavra livro, não nos diz, com certeza, se se refere ao objeto livro, ou ao verbo livrar. Podemos ficar em dúvida, porque embora a voz seja a mesma, a acepção pode ser diferente. Ademais as palavras, colocadas em face de outras, assumem diversas acepções. Observou-se que existe uma certa lei de correlação entre as palavras.

Na Filosofia, podemos construir uma sintaxe sem semântica, como também na Matemática pode-se trabalhar com sinais sintáticos sem semântica, sem significação determinada. Se examinarmos os correlativos, se observarmos as relações entre os seres, notamos que há aquele cuja atualidade implica, necessariamente, a atualidade do outro. Então compreendemos um termo, como termo do segundo, o segundo como termo do primeiro, como na correlação pai filho. Descobertas as leis da correlação, podemos reduzi-la a uma forma sintática. Vemos que uma série de regras são inevitáveis para haver correlação: 1) Atualidade dos termos da correlação; 2) a definição de um termo implica, necessariamente, a de outro; 3) os termos serão sempre simultâneos, enquanto tomados dentro da relação: o pai só é pai quando há o filho, o filho só é filho quando há o pai; quer dizer, a simultaneidade dos termos, na correlação, é inevitável. Poderíamos, como veremos na parte concreta, extrair urna série de leis sobre a correlação, e metamatematizá-las. A Mathesis é precisamente a construção dessa metamatemática, que estuda as leis de todos os aspectos da realidade; porque se observarmos as chamadas ciências particulares, elas se dedicam apenas a um aspecto, a uma particularidade da existência.

As ciências subordinantes tratam do aspecto comum de várias ciências particulares. Destas temos outras subordinantes superiores, que tomam o comum das subordinantes inferiores, até que alcancemos uma ciência, que tenha uma linguagem válida para todas as outras, com o mesmo rigor da Matemática, fundando-se em demonstrações apodíticas e que nos ofereçam aquela certeza, aquela evidência desejada, que é a Máthesis. Nós sabemos que, onde houver correlativos, a correlação é válida, predomina e predominará sempre, porque onde ela não reger não há correlação. Esta lei é universal, esta lei é eterna, não tem um começo, não principiou, não tem um princípio no tempo, não é uma criação nossa. Nós a achamos, nós a descobrimos, através da análise dos logoi.

Nós não a criamos, não é uma invenção nossa, é algo que se revela à nossa mente, ao espírito humano. Então, quando atingimos a este conjunto de leis, podemos ter uma visão universal, atingimos ao que se chamava Mathesis Universalis, que já tomou um nome latinizado, como a intitulava Leibnitz, e de que falaram muitos filósofos, desejosos de alcançá-la: saber capaz de servir de guia à Filosofia e às ciências práticas.

Podemos alcançar um conjunto de leis perfeitas, válidas independentemente da nossa mente. Um dos erros terríveis do filosofar moderno constituiu-se no defeito gnoseológico de pôr uma dúvida sobre o conhecimento humano, pelo simples fato de ter o homem muitas vezes errado.

Realmente muitas vezes erramos ao conhecer, mas daí induzir uma lei geral, era uma consequência que não estava nas premissas, não estava nos antecedentes. Esse consequente não tinha, nos seus antecedentes, a sua razão de ser; ofendia a lei da antecedência e da consequência, lei que preside, por exemplo, o silogismo. Verificamos que o ser humano alcança essas leis que não podem ser de outro modo. Mesmo que não existisse o homem, podemos compreender que a lei da antecedência e da consequência, a lei da correlação, da qual ainda há pouco falamos, seriam válidas, de valor objetivo, independente, portanto, da nossa subjetividade.

As leis matéticas não podem ter tido um princípio no tempo; elas não podem ter começado; não é possível, de modo algum, que tenham tido elas um começo, que tenham sido antecedidas por um antes, que fosse um nada de leis. A lei, por exemplo, da correlação, é alguma coisa que sentimos ultrapassar o tempo; ela é eterna, nunca teve um começo, nunca principiou. Se não houvesse nenhum correlativo, mesmo assim essa lei seria passível de ser inteligida por uma mente e seria válida, independentemente dessa mente. Uma mente inteligente é capaz de captar. Ela não poderia dar-se como uma coisa que acontece aqui e ali, no tempo e no espaço, mas como algo que ultrapassa o tempo e o espaço, não tem tamanho e não tem idade, que ultrapassa toda materialidade. É uma coisa estável, imutável, eterna. E é o que vamos perceber na Máthesis, à proporção que nela avancemos, tangendo a eternidade, acostumando-nos a tanger o eterno. Não temos mais trabalho para procurá-las, pois elas irão apresentando-se como uma decorrência rigorosa e imediata umas das outras.

Quando descemos, fazemo-nos para a realidade, e vamos estudar aqueles problemas que pareciam tão complexos, e tão difíceis, como o conceito de termo, que se for bem entendido, como princípio, meio e fim, torna-se para nós simples e claro. Podemos significar como termo o que marca uma determinação, dá um vestígio, tanto no início como no meio e no fim. Encontramos, assim, por exemplo os termos desta mesa, nesta direção. Podemos conceber uma série potencialmente infinita desses termos, como foi feito na Matemática, e podemos estudar a teoria dos termos, e as suas leis, e veremos então, que ele é sempre a determinação possível ou atual de alguma coisa, não sendo eles constituintes essenciais da coisa. Os termos não são necessariamente causas de uma coisa, pois o ponto, que é um termo da linha, não é sua causa. Pode ser o princípio da linha, e também final, pode ser um termo principial, pode ser um termo medial, pode ser um termo final de uma linha, e nos termos intermédios podemos ver o ponto, sem que seja ele causa da linha, nem, consequentemente, matéria, nem forma, nem causa final, nem causa eficiente da mesma. Se não é, basta isso para dissolver todos os argumentos de Zeno de Eléia, pois ele toma o ponto como se fosse causa. Toda argumentação de que a linha é composta de pontos é improcedente, porque considerada a linha nos aspectos que são terminais, e que nela podemos determinar, marcar, assinalar, não podemos considerá-los como se fossem constituintes materiais da linha.

O nada absoluto está refutado de qualquer forma pela nossa presença e a sua colocação, como problema filosófico, é uma falsa postulação e um falso problema. Contudo, o nada, tomado relativamente, é tema matético e, como tal, é objeto de estudo da Máthesis na parte chamada Meontologia, que se dedica ao estudo do nada enquanto nada, como a Ontologia estuda o ser enquanto ser. Muito embora a Ontologia não se desligue da Meontologia, nem da Máthesis, no fundo esse triângulo constitui uma unidade, e exige métodos diferentes de investigação. Há uma distinção, porque também cada uma delas vai tratar de um aspecto formal. Assim, a Ontologia vai tratar do ser, do ente, tomado enquanto ente, enquanto a Meontologia vai estudar o nada enquanto nada; quer dizer, já não trabalha com um termo positivo, trabalha com um termo negativo. Consequentemente, não pode trabalhar com um termo negativo, sem a presença da própria Ontologia, de forma que a Meontologia trabalha com a Ontologia, na análise das ideias chamadas negativas, que fazem parte de seu objeto. Contudo, na especulação moderna, e este é um aspecto positivo dessa especulação, ela se preocupa com o problema do nada, que ficara relegado a segundo plano, embora os antigos tivessem se dedicado a estudá-lo. Mas a chamada regressão da filosofia moderna foi muito boa, porque podemos agora procurar os trabalhos que os antigos fizeram sobre o nada, onde ofereceram sugestões, que ficaram esquecidas.

A Meontologia propõe-se solucionar, com muito maior simplicidade, ainda, este problema.

Máthesis não é uma simplificação de cálculo. Quando um matemático simplifica um cálculo com os elementos da Álgebra, o que significa um grande avanço, e uma criação engenhosa, gigantesca do ser humano, este não cria propriamente, mas simplesmente descobre o que se revelou à sua mente. Não foi um criador da coisa, apenas o descobridor. As leis da Álgebra já se davam, mas o homem as achou, e à proporção que a Matemática foi desenvolvendo-se, tornou-se uma simplificação, uma linguagem mais elevada na própria Matemática, pois também nela há uma série de camadas de linguagem, desde a Aritmética até os cálculos mais complexos. Esta foi uma grande conquista, e esta também se faz e se fez na Filosofia. Certamente os antigos filósofos, como Pitágoras, não descobriram todas as leis da Máthesis, e conheciam menos, sem dúvida, do que podemos conhecer hoje. Pitágoras sabia haver uma linguagem das outras, pela qual investigou e esforçou-se em alcançá-la. Essa linguagem (a décima ciência prometida) não nos foi transmitida. Cabe-nos agora procurar estabelecê-la.

Um desafio a nossa era.

Toda conjuntura intelectual se baseia em abstrações, delas pensamos leis cientificas como equações para lidar (seja criar ou modificar) a realidade. Me referi a conjuntura intelectual no sentido de inteligência coletiva, conjunto de ideias, pensamentos, que é coletivizado e pensado em sua máxima. Todos os indivíduos que prática o ato de inteligir, de levar as questões em sua máxima significância, de tornar os conceitos mais abrangentes, qualitativo e quantitativo, tem a responsabilidade de convergência e não divergência a respeito do conhecimento, fazendo a própria filosofia que é a mãe dos saberes, ser a semente do bom semeador, semente que cresce e cria novos galhos, novas flores. Somos nós os semeadores da parábola de cristo, e o tecido do real e irreal é a terra a ser cultivada, que se não for bem cuidada, não dará bons frutos. Na era moderna estamos mais separados do que nas eras anteriores, o conceito de debate é para crescer o intelecto, e não defender uma ideia que pelo coletivo foi determinada errônea. “Se amigo da verdade até ao martírio; não sejas, porém, seu apostolo até a intolerância” – Pitágoras.

Um pensamento partidário no sentido de ser parte, fez os jovens se tornar defensores de filósofos, e não de filosofias, criticadores de pessoas e não de pensamentos. Tornando quase impossível um diálogo filosófico entre várias vertentes do conhecimento, fazendo os mais superficiais chegar a conclusões de que a filosofia está morta, já que ela nada produz efetivamente. Pensam eles, em filosofia como método, ou como um sistema semelhante a matemática, onde leis predeterminadas regem toda a ciência matemática. Porem sistema semelhante ainda não foi produzido, já que ela não exatamente é uma ciência determinista, e tão pouco existe uma definição homogênea sobre o assunto. Então o que resta a nós? Seremos nesta era, apenas fãs do avanço tecnológico? Como alguém que olha para fora, como que estendesse tudo dentro de si próprio, os estudos metafísicos, os estudos antropológicos (é importante não fazer confusão com a sociologia, a antropologia é maior que a sociologia, e dela que a sociologia nasceu, e não o contrário.), e muitas outras ciências que ainda poderão ser desenvolvidas a partir do que se expressa nesta obra monumental do Mario Ferreira, como a meontologia, que é o estudo do nada enquanto nada, o estudo do não ser, munido de passividade. O filósofo francês Jean-Luc Nancy distingue o nada do nada. Ele escreve: “Nada é nada [rien] … Não há ontologia sem a dialética ou o paradoxo de uma meontologia… Nada é a coisa tendendo para o seu puro e simples ser de uma coisa”. Nada é “A qualidade passageira e momentânea da menor quantidade de beingness (étantité).”

Propositalmente, para chegarmos a esses logois, é preciso de uma ferramenta que torne possível esses diálogos com o superior, entra-se então a necessidade de uma própria dialética, que abrangesse o qualitativo, o quantitativo (nas operações de raciocínio), o psicológico, o filosófico, o matemático, o interpretativo, o simbólico, o antropológico, a ontológico, a meontologia, e outros que ainda não tenho capacidade de identificar.

Mas para essa dialética se tornar eficiente, primeiro devemos chegar ao consenso com o verdadeiro autor dessa obra, que é duas matérias filosóficas, ou dois modos de operações, qual ele chamou de: Ciência especulativa e Ciência prática. Desses dois modos de classificar, poderemos separar as ciências, e colocá-las ao lado daquelas que a farão impulsionar. Como a Psicologia com a filosofia, partindo do pressuposto aristotélico de que o homem é um animal político, e também de Platão, de que o homem faz parte de uma inteligência superior, do qual tem apenas resquício, e pelo brilhante raciocínio do autor, essas inteligências são os próprios arkhai. Dessa junção poderíamos pensar a antropologia, que é o estudo da ciência do homem no sentido mais lato, que engloba origens, evolução, desenvolvimentos físico, material e cultural, fisiologia, psicologia, características raciais, costumes sociais, crenças etc. Para a antropologia ser plena, ela não pode estar em concílio com essas ideias modernas político-partidárias, nem com filosofias revolucionistas, também não se pode pensar em integral imparcialidade, já que como disse, somo uma construção de nós mesmos, ou seja, construímos o nosso interior (psicológico) a partir de que construímos nosso exterior filosófico. Isso não pode ser interpretado como mera relativização, mas com influencias físicas e psicológicas, a partir de símbolos que coletivizamos.

Todas essas ciências não estão a serviços de outras, ou são meras subordinantes, elas são próprias de si mesmas, e como o objeto de estudo é o mesmo, fazendo elas trabalharem em conjunto – A exemplo da neurociência, e a psicologia. A primeira estuda o “objeto” inteligente, para concluir de forma pragmática como funciona, e a segunda estuda os processos inteligentes, baseando em premissas e especulativas, já que todas ações existentes não podem ser catalogadas e premeditadas como se fazem nas ciências praticas. É claro que essa afirmação é superficial a respeito da definição dessas matérias, mas não pode dizer que, elas estão em discordância com a definição própria. A ideia de debater para elevar o conhecimento em falso, pois não se eleva ao superior pela mera discordância entre ciências. É por esse motivo que a ciência pragmática se elevou e as ciências humana ficaram para trás, as ciências praticas, entenderam que a física influencia a matemática e a Química, o que não ocorre por exemplo a psicologia com a sociologia atual.

O prático e o especulativo

A Ciência prática surge da vontade humana, que orienta o entendimento às obras realizadas pelo homem, a toda vida fativa do ser humano, e à sua vida pragmática, do pragma, que é o conteúdo da práxisna busca do bem. Enquanto a Ciência especulativa é mais uma obra do entendimento, orientada pela vontade na busca da verdade, como se vê na Psicologia, o entendimento e a vontade não são duas faculdades abissalmente separadas, mas, sim, de vetores diferentes, cujos papéis são distintos, mas, no fundo, da mesma natureza. Assim a ciência especulativa é primacialmente uma obra do entendimento humano, e a ciência prática, uma obra da vontade humana.

Nas ciências especulativas, como trabalhamos com objetos ideais, os juízos construídos buscam afirmar a verdade e afastarem-se da falsidade, ambas no sentido formal, enquanto que, na ciência prática, como se dirige ao que corresponde à conveniência da natureza humana, a preocupação é dirigida, preferentemente, para o certo (o conveniente) e afastar-se do errado.

Certo é tudo quanto corresponde à conveniência da natureza humana, tomada sob qualquer aspecto, estático, dinâmico ou cinemático, enquanto que a Ciência especulativa se preocupa com a verdade formal. Por essa razão, a Máthesis subordina a ciência especulativa. Mas veremos que a Ciência especulativa, quando bem orientada, preside a Ciência prática, porque esta precisa da Ciência especulativa. A separação, que se deu no mundo moderno, entre as duas ciências, como se elas nada tivessem em comum, foi um erro de gravíssimas consequências, que perturbou o pensamento humano.

Máthesis é uma espécie de metalinguagem, que é também uma semântica, e também uma sintaxe, cujas leis (nomoi, logoi) presidem a toda realidade atual, a toda realidade possível, e nos explicam o porquê da realidade impossível, ou seja, da impossibilidade de uma determinada realidade. Portanto, podemos dizer que a Máthesis é a ciência dos princípios, dos arkhai.

Temos, primeiramente, de estudar um conceito muito importante, que é o de termo. É uma expressão que significa, propriamente, umbral, ponto de partida, ou terminus a quo, e também, ponto de chegada, e ainda os termos intermediários.

O Mário Ferreira, pensa nos ‘‘termos’’ como um conceito próprio seu, palavra que só vai ter sentido, seguindo as suas premissas próprias, para melhor entendimento, aceite como conceitos verdadeiros, todas as suas premissas.”

Podemos dar por ora à conceituação de termo, como já vimos, o sentido de umbral, de índice, de vestígio, testemunho de uma determinabilidade.

O princípio é também um termo, termo que principia: o fim seria o termo final, e os médios, termos intermédios. De forma que o termo é alguma coisa que cimenta, é algo que nos dá o vestígio de alguma coisa, é de certo modo um quid de outro, um alius quid, alguma coisa, em cuja natureza vamos procurar penetrar. Desse modo, o princípio é o termo inicial; o fim, o termo final, e os médios, os termos que se intermedeiam entre o princípio e o fim. Fim seria, então, termo limite, onde a coisa encontra o seu final, o seu acabamento; e o princípio seria o termo inicial, onde a coisa tem o seu começo.

Se o fim de uma coisa é o para onde uma coisa tende, então podemos admitir que esse fim, é, de certo modo, um princípio da coisa, por que a coisa, tendendo para aquele fim, que é primeiro na intenção e último na execução, podemos encontrar a presença da intenção final anterior ao fim (como é na execução), ou, então, simultâneo com o princípio de alguma coisa. Então temos de excluir da ideia de fim o termo posterior ao princípio. O que também pode acontecer é que o fim seja constituinte do próprio princípio, e seja até o próprio princípio olhado do ângulo de para onde ele tende. Temos de conceber que tudo quanto há, tem de principiar. Necessariamente, pois o princípio tem de ser o antecedente fundamental de tudo quanto há. Portanto, tudo quanto há, seja de que forma for, principia, tem um princípio anterior a tudo. O primeiro princípio revela a sua anterioridade a tudo; portanto, é arkhé, o morador da sétima morada dos hindus, o antigo dos anos dos livros religiosos dos hebreus, é o antecedente de todos os consequentes. De qualquer maneira tem de haver um princípio, porque mesmo que tudo fosse uma ficção, esta principiaria, esta ficção teria o fundamento num princípio. Logo, princípio independe de nós; é alguma coisa que se revela objetivamente para nós, como antecedente de todos os consequentes. Há um princípio, inevitavelmente.

Tudo quando há, houve, ou houver, teve, tem e terá um princípio, e isso é inevitável. Também a essa especulação chegaram os egípcios, os hindus, como vemos nos livros sagrados destes, especulações sobre o prateran, sobre o prat. Eles também falam nesse princípio. Prahanam é o prateran, é o princípio de todos os princípios, é o antecedente de todos os antecedentes. Encontramos em todos os povos, a aceitação de que há um princípio, que é o antecedente de todos os princípios. Não vamos discutir se há um só, dois, três, ou muitos, mas o princípio, tomado agora sintaticamente para nós, passa a ser uma necessidade. Há necessariamente um princípio. Chegamos, então, a esta verdade para nós independente da nossa mente. Não é uma criação nossa. É algo que se projeta objetivamente, sintaticamente, sem especificação nenhuma.

Há um princípio quanto à individualidade, quanto à particularidade e não quanto à generalidade?

Estamos tomando princípio indeterminadamente. Há princípio, não ainda um princípio. Basta haver o princípio de qualquer particularidade para haver princípio; basta haver um ser que tenha princípio para haver princípio.

Toda coisa tem um princípio em si ou em outro. O nada também é um princípio, e é tema da Meontologia. Se do nada principia alguma coisa será discutido em meontologia. Quer dizer, sem princípio não podemos conceber nem considerar, quer particularmente, quer universalmente qualquer coisa. Podemos, pois, chegar à objetivação de um logos universal, que é o logos do princípio, a razão eterna do princípio.

Não se discute ainda se princípio é ser ou não é ser. Não sabemos ainda como é. Se é ser, ou não-ser, será aspecto específico do princípio, será uma espécie de princípio. Se esse princípio, por sua vez, preside até o fim, para onde tende a coisa, é outro tema. O que interessa é saber que a coisa, seja qual for, tem um princípio, principia de certo modo, começa a ser de certo modo, ou começa a ser abeternalmente, de todo sempre, ou começa a ser por si mesma, ou por outra, não interessa por ora. O que interessa é que o princípio, seja qual for ou como for, será sempre o primeiro, antecedente a quanto seja o que for. O Ser Supremo, como o deus de todas as religiões monoteístas, será um principiado, não recebe de outro, que seja seu princípio, o ser que tem. Portanto, podemos clarear bem o conceito de princípio. Podemos conceber coisas principiadas, quer dizer, principiadas em si mesmas, que não tenham princípio senão em si mesmas, não tenham princípio em outra.

O materialista terá de chegar à conclusão que a sua matéria não principia em outro.

A Matese não se interessa, no início, em saber o quid desse princípio, mas apenas que ele há, e como ele há, a modalidade de seu haver. É verdade que temos de partir da experiência humana, O homem possui verdades em estado virtual, elas estão dentro de nós, pois fazemos parte da verdade do que há. Dentro de nós está a correlação, o antecedente e consequente. Temos, desde todo sempre, essas leis, porque elas não principiam no tempo; por isso os platônicos dizem que temos reminiscência dessas leis, que não estão na nossa consciência, nem tampouco são criadas por ela. Estavam esquecidas dentro de nós; nós relembramos o que pertence à nossa cognoscibilidade, dá-se uma anamnésis, ou seja, um desesquecimento, porque o que havíamos esquecido não se anulara, apenas se virtualizara. Estava em nós virtualmente, enquanto à sua logicidade estaria dentro de nós, mas do qual virtualmente se torna atual, então, para nós. É esse o sentido de Platão. O homem é um desvelador da verdade. O ser humano é um veículo de si mesmo, mas a revelação não é objetiva, ela se revela à nossa subjetividade. Platão, dessa maneira, evita as dificuldades que se encontram em Aristóteles, pois este não resolve o problema do realismo, nem o fazem os que seguem a sua linha.

Jamais poderemos chegar, através do aristotelismo, aos logoi arkhai, nem aos arkhetypoi, pois não consegue aquele sistema entender o verdadeiro papel da experiência humana, do antropológico. Por isso, a metafísica de Aristóteles permanece sendo uma Filosofia da Física.

Duns Escoto não aceita a linguagem de Platão, mas aceita as suas ideias, e o “De Primo Princípio” é uma obra matética. E depois de São Boaventura, que também realiza uma obra matética no ocidente, inicia (pois é onde ele vai libertar-se completamente da facticidade) a trabalhar apenas com ideias mateticamente fundadas. A lei da anterioridade e da posterioridade foi estudada por ele como não se fizera até então. Conclui que não se construíram as leis; que não foi um ser humano que as criou, mas apenas as descobriu. Vemos isso claro na crítica a Aristóteles e a Santo Tomás, e através de uma série de análises, que ele faz também da natureza comum, da natura communis, para chegar, depois, ao princípio que ele chama universal físico, e sobe por aqueles universais até alcançar e dar um fundamento rigoroso ao realismo, um fundamento matético. Compreendia que, seguindo Aristóteles, o realismo, necessariamente, naufragaria.

É mister dividir a obra de Platão, pelo menos em duas partes: a em que predomina o pensamento de seu mestre Sócrates e a em que predomina o pensamento pitagórico.

Na primeira parte, Sócrates fala no realismo exagerado, mas, na outra, Platão já admite um realismo mitigado, como se pode ver no seu maior diálogo, que é o “Das Leis”, obra que nos auxilia a compreender mais claramente o seu pensamento.

Na Matese, na ideia de princípio, verifica-se esse radical pro, que indica anterioridade, de onde encontramos próton, quer dizer que tem o caráter de antecedente, protos, em grego, primeiro, etc.

princípio é de certo modo o fundamento de qualquer coisa, pois esta tem seu fundamento no princípio. O que é o princípio, qual a sua natureza são temas de investigação da Matese.

Em suma, a Matese tem como objeto formal os princípios, enquanto tais, como a Ontologia estudará o ser enquanto ser.

As Leis Matéticas

A Ciência especulativa, como ciência do entendimento, tem como objeto, propriamente, seres imateriais, imóveis, de caráter necessário. É uma ciência que tende para estabelecer a verdade, ou determinar a falsidade do que é postulado. Construímos esquemas com as características da necessidade, e também da imutabilidade. É, portanto, a Ciência especulativa uma ciência do intelecto, do necessário. Agora é preciso que se estabeleçam bem claramente os objetos dessa ciência, e estes são proporcionais ao grau de inteligibilidade do scibilis, segundo o grau de abstração.

O nosso conhecimento, cronologicamente traçado, parte da empíria; parte, portanto, dos objetos materiais, pois são estes os primeiros a estimular os nossos sentidos exteriores e é sobre esse material, dado pelos nossos sentidos, que é o phantasma de que falava Aristóteles, que a mente vai trabalhar, e construir os esquemas, que são propriamente intelectuais. O primeiro grau é o que depende da matéria, segundo o ser, como segundo o intelecto: isto é, não podemos conceber aqueles esquemas sem a matéria; quer dizer, não podemos conceber a coisa segundo o ser sem a matéria, e também não podemos defini-la, intelectualmente, sem aquela. Os objetos de primeiro grau de abstração são, pois os que dependem da matéria, tanto no ser como no intelecto, como homem, planta, casa, árvore, etc.

Do segundo grau são aqueles que dependem da matéria segundo o ser, contudo não dependem segundo o intelecto; quer dizer, para se atualizarem, para se existencializarem precisam da matéria, mas podem ser definidos sem ela, como a linha que precisa da matéria para ser, mas pode ser definida sem aquela, como também os esquemas matemáticos.

As abstrações de terceiro grau são aquelas que não dependem da matéria, nem segundo o ser nem segundo o intelecto, como o são os esquemas metafísicos. Podem ser definidos sem necessidade de recorrer à matéria, pois não dependem daquela nem no ser, nem no intelecto. Ainda se pode fazer aqui uma subdivisão: aqueles que nunca estão na matéria, como Deus, e os que não estão na matéria por não necessidade, pois, algumas vezes estão e algumas vezes não estão, como potência e ato, o um, (não o um matemático, mas o ontológico, transcendental) que são abstrações de terceiro grau, que ora estão na matéria, ora não estão nela; isto é, que não estão necessariamente na matéria; quer dizer: podem estar, podem não estar, e os que necessariamente nunca estão na matéria.

Esses três graus são os de inteligibilidade do ser humano, sobre os quais ele constrói a Ciência especulativa, segundo a posição aristotélica, de maneira que esta é tríplice, portanto. No primeiro grau, especulativamente, temos a Cosmologia, que é a Filosofia da Física: no segundo grau de abstração, temos a Matemática, e no terceiro, como ciência especulativa, a Metafísica.

Não se deve confundir abstração com mera separação mental. Aquela implica formação de esquemas formais. Não é a atenção de alguma coisa desatendendo a outras; não é isso propriamente, como dizem alguns modernos. Ela é uma construção formal, e se abstrairmos o branco deste papel, não é o branco deste papel que dele destacamos, mas o branco, sobre o qual podemos ter uma abstração de primeiro grau. Teríamos, aqui uma solução para nova classificação da ciência, por que já com a construção da Máthesis verificamos que a filosofia de qualquer ciência é a que estuda os princípios dessa ciência, são os arkhai. arkhê enquanto ente, é objeto da Ontologia; arkhê enquanto Meon (não-ser) é da Meontologia, a arkhê, enquanto ente divino e não criado, é da Teologia, a arkhê, enquanto material e criada, pertence à ciência que os antigos chamavam de Pneumatologia, mas a que estuda os princípios, enquanto princípios do ente natural corpóreo, é a Filosofia da Física, a Filosofia da Ciência. Portanto, a filosofia de uma ciência é a que estuda os princípios daquela ciência. Assim se pode falar na filosofia da antropologia ou filosofia antropológica, dedicada a estudar os princípios do homem: a filosofia da Matemática, os princípios desta, etc.

Ao estudarmos a dependência, vamos verificar que há diversas espécies de dependência, como a dependência ôntica que é uma, a real real, deste ou daquele ser, a dependência ontológica; que é a da razão de ser, a dependência lógica, que é aquela à qual reduzimos os conceitos, como a espécie ao gênero. A dependência matética, que é a dos logoi para os logoi, das leis eternas, umas para as outras.

Diz-se que são esquemas de primeira intenção os correspondentes aos seres de nossa experiência comum, seres de abstração de primeiro grau. Os seres de segunda intenção são aqueles que vamos construir sobre esses, como os seres lógicos, os seres matéticos, que são, nesta disciplina, propriamente, termos, construídos através de uma especulação sapiencial. Por isso há necessidade de se distinguir a onticidade da ontologicidade e esta da logicidade e, estas da mateticidade, no que se refere aos termos, que são objetos de nossas especulações.

As leis matéticas presidem a própria mente, mas cada uma dessas esferas tem as suas características próprias, que só permitem alcançar a esfera superior, através de reduções analógicas, nunca diretas, de maneira que se queremos reduzir os fatos da Física aos eide da Metafísica, temos de dispensar certos aspectos, pertencentes a esfera da Física, para chegar, por exemplo, à esfera da Lógica. Desta, temos de dispensar outros para chegar à esfera da Ontologia, o que é importante, por que, na confusão que se deu, no âmbito das demonstrações, alguns filósofos julgaram que o verdadeiro, na Lógica, fosse necessariamente verdadeiro na Ontologia, o que não tem procedência, embora, o que é verdadeiro na Ontologia é necessariamente verdadeiro na Lógica.

Uma verdade lógica não é ainda uma verdade ontológica; do contrário poderíamos, através da Lógica, e apenas dela, alcançar as verdades ontológicas, como o querem os idealistas e racionalistas. A verdade lógica dá-se através da adequação que nem sempre corresponde à realidade. Assim o juízo: “Deus existe” é um juízo lógico verdadeiro, por que o predicado existe, atribuído a ele, é um predicado necessário, por ser da sua própria essência e das suas condições existir, pois um Deus inexistente não é Deus. De maneira que dizer “Deus existe” é dizer logicamente verdade, mas ontologicamente, para ser verdadeiro, exige outra prova.

A Lógica funda-se na coerência dos conceitos eidéticos noéticos do homem, graças à nitidez que lhes dão a Ontologia e a Máthesis, pela precisão dos logoi analogantes. Desse modo vamos conseguindo conceitos mais precisos, mais puros, aos quais as leis da Lógica presidem, porque são as mesmas leis da Máthesis. Os princípios ontológicos são também princípios lógicos, e são examinados pela Máthesis. Desse modo encontraremos a concreção, o que dá o verdadeiro sentido da filosofia concreta, por que podemos trabalhar de um extremo a outro extremo, podemos trabalhar desde a onticidade até a mateticidade, sem necessidade de violentar nenhum desses setores, por que, se fossemos fazer lógica só, nada estaríamos apresentando, senão continuar dentro do campo do que já estava feito, e não poderíamos isolar os problemas.

A Lógica é uma ciência auxiliar, que não se separa de todo filosofar. A Máthesis também não pode dispensar a Lógica; contudo, não se deve esquecer que, da coerência das ideias, não se pode chegar à conclusão de uma evidência. Ademais é um erro considerar a evidência subjetiva imediata como fundada na coerência lógica. Encontramos exemplos de coerência lógica perfeita, sem correspondência com a realidade. A Lógica, por si só, não é suficiente, por que podemos criar conceitos que não correspondem à realidade, e depois deduzir deles uma série de juízos, coerentíssimos, com toda precisão lógica, mas sem qualquer validez real. O que a Máthesis tende a fazer é dar um conteúdo de validez real à própria Lógica, de maneira que este se liberte do perigo de transformar-se apenas numa disciplina da coerência, por que isso não é suficiente, pois não é a garantia da verdade de alguma coisa. É o que se verifica nas matemáticas não-euclidianas. Elas são coerentes, mas tal não quer dizer que sejam, só por isso, verdadeiras, embora possam corresponder à realidade prática, o que ainda estudaremos melhor.

Filosofia Brasileira?

A Matese, é o estudo do universal, considerando as linguagens, os símbolos e as matérias humanas e cientificas. A Matese, não é uma filosofia, mas o objeto de estudo do universal, a filosofia é o modo de chegar até ela, e não pode comparar superficialmente com um mero método cientifico ou método filosófico, pois este modo de pensar a condensa a sistemas próprios e mecânicos, e de forma alguma a filosofia do Mario pretende ser. O Mario apoiado aos grandes, desenvolveu esse modo filosófico, como uma disciplina genuinamente Brasileira. A responsabilidade de unificar a ciência e a filosofia, simbolicamente seria uma responsabilidade brasileira, já que somos humanamente, uma junção de etnias ancestrais. Não é um projeto Divino, ou alguma mística. É não repetir os erros dos nossos antecessores étnicos, muito menos dar prestígios a falsos lideres, e líderes medíocres, tirem suas vidas da política, tragam a inteligência, não deem prestígios a políticos por cumprirem sua função, isso é incoerente, saúdam a inteligência a educação e a sabedoria, a respeito da riqueza que todos brasileiro idolatram, saibam que nenhum dinheiro produz conhecimento, mas todo conhecimento produz riqueza, enriqueça de sabedoria. A muito tempo, nós brasileiros somos privados de pensar, de ser, de produzir nosso destino, e obrigatoriamente e egoistamente nos envolvem a projetos macabros de dominação social, ou de teorias humanas idealistas.

Compreendo que antes, precisa fazer uma recuperação dos estudos do autor, de forma ampla, seguindo seus próprios conceitos. Conceitos que tentei ao máximo compilar nesse livro. E esse é apenas o começo, acredito que se seguirmos estes passos, em um futuro próximo, teremos uma filosofia genuinamente Brasileira, como sempre foi o desejo do próprio Mario.

Considerando as abstrações, e as classificações práticas e especulativas, a tentativa de criar uma ciência única, ou sanar os problemas da filosofia moderna, a luz das abstrações como operação perceptível do real, material.

Abstrações

1° – É aquilo que depende da matéria, segundo o ser, segundo o intelecto. Não podemos conceber aqueles esquemas sem a matéria, como homem, planta, casa e etc.

O grande problema do bonito e do belo; o primeiro tende a ser uma abstração de primeiro grau, pois só se vê o bonito com o sentido da visão, portanto é essencialmente uma construção material e também social, de símbolos coletivizados socialmente. O segundo é essencialmente uma abstração de 3º grau, pois mesmo as pessoas não munidos da visão, podem contemplar o belo, pelo pensamento imaginativo, a beleza de um quadro, por exemplo O GRITO de Edward Munch-1983, é diferente da boniteza de um ser humano da profissão “modelo”, pois o admirador vê o quadro metafisicamente, diferente dos admiradores de pessoas profissionais da moda, “modelos”, pois estes, se prendem essencialmente a um padrão sistêmico material, impossibilitando de sair da matéria e fazer metafisica, não que tal coisa seja impossível.

Explicação – abstração é apenas uma operação, ou seja, forma de analisar ou pensar algo, o Mario Ferreira divide em 3, e esse é o primeiro grau, é tudo aquilo que você só pode conceber se você ver, por exemplo um animal, não tem como saber o que é, e como é um esse animal sem ver ele, logo ele é uma abstração de primeiro grau, pois necessita da matéria para ser compreendido e analisado.

Bonito é uma abstração de primeiro grau, porque só posso saber que algo é bonito se eu ver, e tirar essa conclusão.

Belo é por natureza imaterial, por exemplo, eu posso achar alguém feio porem belo, pelo seu “interior”, portanto ele é Metafisico. Independe da matéria para ser compreendido.

Então o exemplo foi no sentido de apreciação do belo e do bonito, para entendermos que o sentido da visão; O exame do sentido da vista revela o desejo do homem pelo conhecimento, como disse S. Tomás de Aquino em Comentário a Metafisica de Aristóteles, portanto, nessa classificação do Mario, a visão é essencialmente uma operação das coisas materiais, e nele nunca chegaríamos a metafisica.

Este é o motivo da ciência prática ser presidida pela ciência especulativa. Fundamentando as abstrações de 2º grau.

2º – As abstrações de segundo grau são aqueles que dependem da matéria segundo o ser, contudo não dependem segundo o intelecto; quer dizer, para se atualizarem, para se existencializarem precisam da matéria, mas podem ser definidos sem ela, como a linha que precisa da matéria para ser, mas pode ser definida sem aquela, como também os esquemas matemáticos. A exemplo das formas geométricas.

A sequência de Fibonacci – Proporção Áurea, vemos ela em toda criação, desde construções de templos religiosos ou das grandes pirâmides do Egito.

Podemos concebê-la em sua forma material, a exemplo de construções, e também a conceber de forma numérica, como apenas esquemas matemáticos, obteremos sempre o mesmo resultado.

Estas duas operações definem o homem físico e a realidade. Das abstrações de 1 grau, tem se o desejo de conhecer, usando os sentidos inerentes do homem, e este não é a linguagem, mas sim a visão, audição, tato, paladar.

A diferenciação da forma pela visão, logo, a caracterização de diferentes formas.

A autossuficiência pelo paladar e pelo faro, garantindo a sobrevivência e a vivência.

E a linguagem, a comunicação e a socialização pela audição.

E a construção e reconstrução das formas pelo tato.

Porém essas faculdades não explicam o porque do homem poder, ter, meios para isso tudo. Como adquiriu essas capacidades de sentido em seu nascimento? É impossível a exclusão de uma ideia de metafisica, a sua exclusão tornaria o homem inexplicavelmente inconcebível. Chegamos então a abstrações de 3º.

3º – As abstrações de terceiro grau são aquelas que não dependem da matéria, nem segundo o ser, nem segundo o intelecto, como são os esquemas metafísicos. Podem ser definidos sem a necessidade de recorrer a matéria, pois não dependem daquela nem no ser, nem no intelecto.

Todas as outras abstrações mostraram como o homem é autossuficiente pelo que já é fisicamente, um construtor, um sociável, um analisador, um ente diferente dos animais pelas suas capacidades de sentido completas. Porém, é percebível que os animais também têm essas mesmas faculdades de sentido, os mesmos sentidos e outros com até maiores capacidades. A águia, por exemplo, tem o dom da visão muitos mais aguçado que o ser humano, o cachorro tem o faro, os morcegos pela audição. É visível que a qualidade desses sentidos não reflete maior capacidade qualitativa de vivência, pois vemos que o homem, mesmo com sentidos inferiores aos animais citados, tem o poder de domesticá-los, de torná-los seus, e assim dominá-los. Só podemos concluir que o homem tem algo mais que os animais do globo.

S. Tomás disse: O homem é inclinado a inteligir, por consequência a conhecer; vemos aqui a execução dos sentidos. Mas nada disso seria possível, se no homem não houvesse, o que Aristóteles definiu, como a capacidade de memorizar, condicionada ao inteligir, racionalizar, pressentir. Essas faculdades fazem do homem superior em todos os sentidos, qualquer ser do globo que não tenha essas capacidades. Podemos conceber que nos animais contenha a capacidade de memorizar, mas elas ainda não superaram as dos seres humanos em cognoscibilidade. O homem é superior em memorizar, analisar, criar, racionalizar.

Porém, ainda sim é inconcebível mesmo pelo fato de o homem ter a memória, ainda falta um poder provocante, um gerador, algo que Aristóteles definiu como Vontade.

Que é o que gera a especulação, o homem tem vontade pela memória, vontade pela análise, vontade para a criação, mesmo que os animais tivessem essa vontade, eles o teriam para com a espécie, o que não acontece no homem. Somos a construção do nosso interior e exterior, munido pela vontade ao inteligível. Tendemos naturalmente ao que é superior, independente até de nós mesmos. Por isso nós tendemos a religião, ou ao conhecimento, pois das duas coisas, a fonte é a mesma, o divino, ao metafisico.

A relação da logica para a dialética, é como o ser humano para a abstração, precisamos dela. Não para criar uma realidade lógica, mas para usar uma das operações da lógica que é a razão.

Tanto para definirmos a realidade, e para não deixarmos o raciocínio cair totalmente no especulativo, nos mundos das abstrações, como uma visão metafisica da realidade ignorando a matéria, que por natureza é uma inteligência lógica.

Nessa filosofia, o essencial é a dialética, e é a matéria que ainda precisa ser muito bem explicada, pois é ela que da forma e as direções dessa filosofia. A principio teremos dialética como a arte de trabalhar com o especulativo e prático, com o logico e o não-logico. Mas ela posteriormente também envolverá as outras linguagens, não como ciências próprias, mas como faculdades de análise do real, do irreal, do possível e do impossível.

Como o Mario Ferreira coloca e muito bem ilustrado acima, “Ela tende a construir uma perfeita linguagem para servir a todos, cima abaixo, pela via do ascenso e pela via do descenso. E ela, consequentemente, pretende presidir a toda realidade atual, a realidade virtual, a potencial, portanto a possível e, também a realidade impossível, porque a impossibilidade passa a ser tema importante para a Mathesis.”

Ainda não tenho essa capacidade de dimensionar, concrecionar, pois isso é dever de todos, dos filósofos, dos matemáticos, dos psicólogos, dos físicos, de qualquer estudioso do homem, da realidade, da irrealidade, do ser, do nada.

Este é a introdução a Mathesis do Mario Ferreira dos Santos, e essa é uma filosofia genuinamente Brasileira, uma filosofia concreta, que envolve todos estudiosos, do prático ao especulativo e ao simbólico, do ontológico ao moentológico, das ciências humanas até as ciências racionais, das ciências especulativas até as ciências práticas.

About Me

Eu discuto minha personalidade como INTP – “lógico”, destacando minha inteligência, precisão e ceticismo. Faço uma análise funcional dos aspectos introvertidos e extrovertidos do meu pensamento, detecção e sentimento. Sugiro que os leitores façam o teste online para autoconhecimento. Como um INTP, sou crítico, dedicado e imparcial, e me concentro mais em ideias e atividades intelectuais do que no mundo real e nas coisas práticas.

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