Da percepção
Do problema da percepção
É simples para nós, nos confundirmos com o todo, afinal, somos parte dele, de forma ativa, diferente dos animais, que pertencem a ele, porém, apenas de forma virtual, não tendo o poder de influência sobre, nem de construção sobre algo além do que já está prescrito em sua natureza. Dos grandes pensadores cristãos, não há entre eles, nenhum que atribuiu a singularidade humana, fora dos seus campos de virtudes. A prudência, fé, Sabedoria, ciência; todas elas em suas atividades, constroem o todo divino. “Divino adjetivo 1. Relativo a ou proveniente de Deus”. Vamos a uma definição filosófica de Deus – São duas as qualificações fundamentais que os filósofos atribuíram a Deus – a de Causa e a de Bem. Na primeira, Deus é o princípio que torna possível o mundo ou o ser em geral. Na segunda, é a fonte ou a garantia de tudo o que há de excelente no mundo, sobretudo no mundo humano.
Bem – A de se fazer aqui, uma separação entre as qualificações usadas na linguagem, para qualificar as concepções. Referindo-se a bem, como tudo aquilo que tem como propriedades qualitativa em sua natureza. Distinguindo-se da quantidade, pois ela não pode ser qualificação da qualidade. Pois quando dissemos; você é bom – estou dizendo que você é bom, e não quantitativamente bom. A qualidade é uma qualificação absoluta, pois somente ela sendo absoluta, ela será tão abrangente quanto a quantidade. Então quando dissemos que umas das qualificações de Deus é a de Bem, estamos dizendo em qualidade, e não em quantidade, ou em, quantidade da qualidade, ser Bem, significa em literalidade ser Bem, com todas as causas e efeitos que vem do conceito de Bem. Como a nossa tese, é sobre percepção, temos de concluir as qualificações sobre a própria, e foi neste sentido que escolhi Deus como ponto inicial, pela definição de ação que é própria dele, e também pelo seu conceito que é qualitativo. Portanto possibilitando tanto o pensamento quantitativo que pertence a ação, e o pensamento qualitativo que pertence ao seu conceito de Bem, no sentido de positividade plena.
Causa – O porquê de todos os filósofos, profetas, apóstolos, testemunharem a Deus pela vivência das virtudes, é a própria definição de causa. Podemos por início pensar em causa como ação inicial, onde, tudo é feito, tudo é possibilitado. Nesse sentido, Deus é a possibilidade do infinito, logo, por natureza, seria ele, conhecedor de todas as causas possíveis. Porem se ele é a causa de si mesmo, também é conhecedor de todas as suas causas [que para nós seria, efeitos], por natural, é ele conhecedor de todos os efeitos de suas causas. Isso se aplica a ele. Vale uma pergunta; isso se aplica a nós? Para responder com exatidão, teríamos de ter uma certeza definitiva de quem, ou oque, somos nós. Sem isso, é impossível delimitar o terreno da existência.
Porém é indiscutível que podemos em parte, bem limitados, usar desta capacidade de causa e efeito. Como uma mãe, que faz um pão, sem conhecimento de química, nem da biologia da massa, pelo conhecimento passado por gerações, sabe ela que com a fermentação e ao deixar de repouso, o pão crescerá. Seria correto afirmar que, fermento é a causa? Não! Pois, antes, dentro de nós, há também o conhecimento como causa, a ação como consequente e o crescimento do pão como efeito de ambos. O conhecimento é a causa da ação de fazer o pão, pois ela conhece seu efeito antes mesmo do pão estar pronto; o fermento é a ferramenta do consequente, que é a ação do conhecimento; e o êxito da fabricação do pão é o efeito de todas as causas.
Logo o êxito da existência, também é o efeito de todas às causas do mundo [pensando mundo, como existência animada e inanimada], porém o êxito existencial, nem sempre reflete os êxitos quantitativos, os êxitos da vida pragmática, é apenas causas acidentais, individuais.
Para que esta distinção seja mais clara, precisa-se fazer abstrações. A melhor e a mais completa até hoje feita, foi pelo Prof. Mario Ferreira dos Santo.
Abstrações
Sumariamente, são separações metafísicas, ou melhor, efeitos de processos cognoscíveis, abstraímos aquilo que, para nós é superior, para que não infecte com os pensamentos inferiores.
1° – É aquilo que depende da matéria, segundo o ser, segundo o intelecto. Não podemos conceber aqueles esquemas sem a matéria, como homem, planta, casa e etc.
Explicação – abstração é apenas uma operação, ou seja, forma de analisar ou pensar algo, o Mario Ferreira divide em 3, e esse é o primeiro grau, é tudo aquilo que você só pode conceber se você ver, por exemplo um animal, não tem como saber o que é, e como é um esse animal sem ver ele, logo ele é uma abstração de primeiro grau, pois necessita da matéria para ser compreendido e analisado. Bonito é uma abstração de primeiro grau, porque só posso saber que algo é bonito se eu ver, e tirar essa conclusão. Belo é por natureza imaterial, por exemplo, eu posso achar alguém feio porém belo, pelo seu “interior”, portanto ele é Metafisico. Independe da matéria para ser compreendido.
Então o exemplo foi no sentido de apreciação do belo e do bonito, para entendermos que o sentido da visão; O exame do sentido da vista revela o desejo do homem pelo conhecimento, como disse S. Tomás de Aquino em Comentário a Metafisica de Aristóteles, portanto, nessa classificação do Mario, a visão é essencialmente uma operação das coisas materiais, e nele nunca chegaríamos a metafísica.
2º – As abstrações de segundo grau são aqueles que dependem da matéria segundo o ser, contudo não dependem segundo o intelecto; quer dizer, para se atualizarem, para se existencializarem precisam da matéria, mas podem ser definidos sem ela, como a linha que precisa da matéria para ser, mas pode ser definida sem aquela, como também os esquemas matemáticos. A exemplo das formas geométricas.
A sequência de Fibonacci – Proporção Áurea, vemos ela em toda criação, desde construções de templos religiosos ou das grandes pirâmides do Egito.
Podemos concebê-la em sua forma material, a exemplo de construções, e também a conceber de forma numérica, como apenas esquemas matemáticos, obteremos sempre o mesmo resultado.
Estas duas operações definem o homem físico e a realidade. Das abstrações de 1 grau, tem se o desejo de conhecer, usando os sentidos inerentes do homem, e este não é a linguagem, mas sim a visão, audição, tato, paladar.
A diferenciação da forma pela visão, logo, a caracterização de diferentes formas.
A autossuficiência pelo paladar e pelo faro, garantindo a sobrevivência e a vivência.
E a linguagem, a comunicação e a socialização pela audição.
E a construção e reconstrução das formas pelo tato.
Porém essas faculdades não explicam o porquê do homem poder, ter, meios para isso tudo. Como adquiriu essas capacidades de sentido em seu nascimento? É impossível a exclusão de uma ideia de metafísica, a sua exclusão tornaria o homem inexplicavelmente inconcebível.
Chegamos então a abstrações de 3º.
3º – As abstrações de terceiro grau são aquelas que não dependem da matéria, nem segundo o ser, nem segundo o intelecto, como são os esquemas metafísicos. Podem ser definidos sem a necessidade de recorrer a matéria, pois não dependem daquela nem no ser, nem no intelecto.
Todas as outras abstrações mostraram como o homem é autossuficiente pelo que já é fisicamente, um construtor, um sociável, um analisador, um ente diferente dos animais pelas suas capacidades de sentido completas. Porém, é percebível que os animais também têm essas mesmas faculdades de sentido, os mesmos sentidos e outros com até maiores capacidades. A águia, por exemplo, tem o dom da visão muitos mais aguçado que o ser humano, o cachorro tem o faro, os morcegos pela audição. É visível que a qualidade desses sentidos não reflete maior capacidade qualitativa de vivência, pois vemos que o homem, mesmo com sentidos inferiores aos animais citados, tem o poder de domesticá-los, de torná-los seus, e assim dominá-los. Só podemos concluir que o homem tem algo mais que os animais.
S. Tomás disse: O homem é inclinado a inteligir, por consequência a conhecer – vemos aqui a execução dos sentidos. Mas nada disso seria possível, se no homem não houvesse, o que Aristóteles definiu, como a capacidade de memorizar, condicionada ao inteligir, racionalizar, pressentir. Essas faculdades fazem do homem superior em todos os sentidos. Podemos conceber que nos animais contenha a capacidade de memorizar, mas elas ainda não superaram as dos seres humanos em cognoscibilidade. O homem é superior em memorizar, analisar, criar, racionalizar.
Porém, ainda sim é inconcebível mesmo pelo fato de o homem ter a memória, ainda falta um poder provocante, um gerador, algo que Aristóteles definiu como Vontade.
Alguns pensam que, tratando-se de abstrações, necessariamente é algo fora do que é compreendido como realidade. E pensam desta forma, sem ao menos explicar com imparcialidade o significado do conceito “Realidade”. Chegam a esta conclusão porque a natureza do pensamento, ideia, sensação, é abstrativa.
Então seletivamente e coerentemente com suas premissas lógicas, apenas o que é conveniente a tal discurso é tomado como Real e transmitido como Realidade.
Percebível
Nikola tesla, disse em uma entrevista que, todo conhecimento antigo, tende a virar religião. Acredito que não seja pelo credo, mas pela qualidade e extensidade da sua qualidade. Como a simples ideia de amar ao próximo como à si mesmo, dá se a partir disso, uma nova perspectiva ontológica, delimitando e tendendo ao conhecimento e reconhecimento de si mesmo. Já que ele está naturalmente ancorando o efeito, que é amar ao próximo. Embora já houvesse religiões que refletisse o homem especulativamente, o cristianismo foi o maior em extensidade, com seus conceitos mais límpidos e puros.
É inegável que hoje vivemos sob teorias filosóficas feitas por pessoas que não pertencem ao tempo da existência. A mesma forma da causa e efeito. O problema da percepção, sempre estará atrelado a confusão moderna, com sua tendência sempre a quantidade, e não à qualidade em sentido absoluto, como potência única, de modo ser inconcebível a meia qualidade, ou qualidade não muito boa. E para definição de qualidade ser absoluta, necessário é, antes, delimitar o campo da existência da ideia, não necessariamente de forma absoluta, mas apenas primariamente. E é nesse sentido que as abstrações do Mario Ferreira são perfeitas, pois servem como campo de análise, separando por graus de percepções.
Perceba que todos que pensam na concepção do mundo, pensam em uma causa “irrefutável”. Para uns Deuses, outros apenas um Deus, outros uma causa denominada Big Bang. Todos partem naturalmente de uma acepção não importando ela se é correta ou incorreta, mas, apenas lógica e explicável a atual linguagem.
Com a separação exposta pelo Mario Ferreira, cria-se campos onde a percepção e o perceptível é compreendido, semelhante às mônadas de Leibniz, [definição – apresenta-se, neste sentido, como um mundo distinto, à parte, próprio – mas também como unidade primordial que compõe todos os corpos]. É complicado o detalhar dessas disciplinas, pois estamos as usando em nossas operações cognoscíveis. Por isso é como Cristo disse: “O reino está entre vós”, refere-se exatamente ao olhar a sua própria operação cognoscível e dialeticamente com a existência.
Por exemplo, as mônadas de Leibniz seriam neste pensamento uma abstração de 3°, pois não estamos pensando nelas como existências animadas, mas sim operações cognoscíveis que ora estão na matéria segundo o ser, ora segundo o intelecto, podem ser definidos em ambas.
A de se pensar também, como princípio de percepção, toda matéria que nos cerca, já que é pela diferenciação dela, que conseguimos classificar, ordenar, e nomear, toda a existência, portanto pensam assim alguns, mas uma questão deve ser levantada; seria a matéria o próprio princípio perceptível? Caso pense afirmativo nessa questão; como seria chamado o próprio ato de diferenciar, classificar e ordenar? Se construímos à realidade a partir da forma, o próprio conhecimento da forma não seria uma ação antecedente ao ato de conhecer pela forma?
Independente das respostas possíveis para as questões anteriores, a matéria é perceptível e por isso é uma realidade, negá-la é excluir o sentido da visão e do tato. Negá-la é negar a nossa existência como ente.
A realidade que chamamos de “mundo” é em sua natureza matéria e forma. Pela forma naturalmente nós construímos a concepção de objeto, este, é a primeira diferenciação perceptível possível de ser feita. Sem se preocupar com a natureza do objeto, nós o manipulamos, categorizamos. Ambas pelo mesmo contexto, portanto em sincronia aprendemos a concepção de semelhante e diferente. Dessa acepção vem-se a busca pela natureza, pois somente fazemos a diferenciação pelo conhecimento profundo da natureza de qualquer objeto.
Por essas razões, vemos na filosofia antiga, o mundo ser definido pela natureza de objetos, por exemplo os filósofos pré-socrático hoje chamados de naturalistas, porque pensavam o mundo a partir do objeto natural, criavam a realidade a partir da percepção da natureza do objeto como a água, fogo, vento e etc.
Assim como na criação do mundo na acepção cristã/judaica, há o reconhecimento do objeto: “E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo. Gênesis 2:20”
Um bebe usa naturalmente deste processo, como intuição natural a partir das faculdades do tato e da visão, de modo a pegar em tudo para conhecimento e classificação.
É necessário que assim seja, para que possamos posteriormente ter a percepção do sujeito.
A de se levantar uma indagação; se o homem é um sujeito em si, porque precisa ele ter a percepção do sujeito a partir da percepção do objeto? Penso que deve ser assim, por uma razão de causa e efeito também no pensamento, as construções de juízos positivos só podem ser bem-feitos, pelo conhecimento das causas, seja no sujeito, quanto no objeto, como expôs S. Tomás de Aquino no livro “Comentário a metafísica de Aristóteles”.
Embora a metafísica de Aristóteles seja considerada como matéria física, eu, particularmente acredito que este problema, pode ser resolvido, a partir de um estudo da percepção, baseando-se sempre em conceitos positivos. O Mario Ferreira diz que, a diferença maior entre Aristóteles e Platão, e que os definem como “opostos”, são apenas o caminho que eles constroem para explicarem seus conceitos. Para entendermos melhor, vou usar a expressão de Cristo; “Porque o Reino está entre vós” – o estar entre algo, quer dizer, que está em todos os meios possíveis, seja, em cima, baixo, dentro e fora, e como Cristo refere-se ao mesmo Reino, portanto pode-se concluir que, não importando de onde principie, as operações terá de chegar ao mesmo fim. Ela só não chegará, caso usemos conceitos positivos com conceitos negativos, essa é a grande ressalva que deve ser feita, abandone toda negatividade, caso contrário ficará muito complicado entender essa tese.
Sabedoria dos princípios – Capítulo V
As Leis Matéticas
“O nosso conhecimento cronologicamente traçado, parte da empiria; parte, portanto, dos objetos materiais, pois são estes os primeiros a estimular os nossos sentidos exteriores e é sobre esse material, dado pelos nossos sentidos, que é o phantasma de que falava Aristóteles, que a mente vai trabalhar, e construir os esquemas, que são propriamente intelectuais”.
Física ou Metafisica
1 – As quatro causas. [S. Tomás de Aquino – Comentário à metafísica de Aristóteles]
As causas se dizem de quatro maneiras.
A primeira é a causa formal, que é própria substância da coisa, pela qual sabe-se o que é cada coisa.
A segunda é a causa material.
A terceira é a causa eficiente, que é por onde [vem] o princípio do movimento.
A quarta é a causa final, que se opõe à causa eficiente segundo uma oposição de princípio e fim.
A causa final se opõe à causa eficiente segundo uma posição de princípio e fim, porque o movimento começa pela causa eficiente, e termina na causa final. A causa final é também a causa pela qual alguma coisa é feita, e o bem de qualquer natureza. Portanto, a causa final é [conhecida] por três [característica]:
É término do movimento, e por isso se opõe ao princípio do movimento, que é a causa eficiente.
Por ser a primeira na intenção, por esta razão é dita a causa das coisas;
Por ser apetecível por si, esta é a razão pela qual é dita bem.
Por estas coisas, percebe-se que Aristóteles pretende colocar dois fins:
O fim da geração é a própria forma, que é parte da coisa
O fim do movimento é algo pretendido além da coisa que é movida.
Embora essa obra de S. Tomás não esteja falando da percepção do sujeito, mas sim do objeto, podemos concluir dialeticamente que assim ocorre no sujeito [faço essa afirmação com intenção de aprofundar na concepção do sujeito, pois este é o objeto do estudo]. Pois como foi dito, a percepção vem de dentro para fora, também de fora para dentro, cima a baixo e baixo a cima. Esta é a razão da ontologia existir.
A percepção precisa do estudo da ontologia, de modo que a pessoa que estudar a percepção, precisa ele, ser honesto em suas capacidades e incapacidades, para não infectar o estudo com seus conceitos e percepções virtuais pessoais.
Aparentemente fica contraditório expressar assim e ter no título: “Do problema da percepção”. É necessário dizer a você que está lendo esta tese, que este problema é da minha percepção, embora como sujeito sejamos semelhantes de modo que a possibilidade de esbarrarmos neste mesmo problema é enorme.
Por hora, é imprescindível que reconheçamos nossa posição de agente passivo, no cosmos. Não somos em hipótese nenhuma, agentes criador, por mais que essa posição de agente passivo, seja previamente usada pela religião, ela é a única que pode nos levar aos conceitos perceptível mais puros. Como anteriormente escrito, nós usamos esses processos para perceber, e também construir novas percepções.
Nós não construímos o objeto perceptível, mas construímos os esquemas, sistemas, para compreendê-lo.
Nos tornando agentes passivos, podemos fazer em qualidade, a faculdade própria de filósofo, no sentido próprio de Pitágoras. E também, explica a busca pelo Reino do qual Cristo refere-se. Cristo não nos instiga a buscar o Reino, pois o Reino já está; quem faz isso é os quantificadores de bênçãos, quantificadores de divindade. Ele apenas diz que o Reino está, basta olhos para ver e ouvidos para ouvir. Às faculdades visuais e auditivas, são passivas, de natureza perceptível, diferente do olfato e do tato, que é qualificação formal no sentido de Aristóteles.
A busca pela percepção, é a busca pelo reconhecimento. Só é perceptível aquilo que pode ser conhecido, por isso Deus está fora desta questão, não se pode perceber Deus, porque não se pode conhecer em totalidade Deus. E é aqui que a religião como a busca pelo superior fora de nós, está errada, incompleta, embora possamos e temos a capacidade de ordenar, qualificar, em sentido abstraído como em sentido formal, não temos a capacidade de tornar isso efetivamente palpável, pela inevitável fatalidade chamada morte.
E é nesse sentido que uso o Cristianismo como ponte para a percepção pura, pois é elementar no Cristianismo a vida eterna, a ideia de eternidade é a própria possibilidade da percepção total.
Não podemos fazer confusão. A religião é apenas uma peça para a percepção, e não a possibilidade da percepção em si. Pela natureza simbólica da religião, podemos determinar e ordenar conceitos complexíssimos para ideias simples. Por isso esse termo “religião” ser um pouco contraditório a ideia apresentada nesta tese.
Feito essas ressalvas, de modo que não pensemos que as coisas são religião, nem política, nem cultura, nem outro termo que venha a nossa mente.
Vamos conhecer mais alguns conceitos para que, possamos apenas imaginativamente compor o mundo que estamos criando agora:
Nós, como seres humanos, não somos o que pensamos, mas nós definimos a partir do pensamento, e isto está intrinsecamente ligado ao que somos naturalmente. Portanto temos 4 dependências cognitiva, sendo elas:
Dependências
Dependência Ôntica – Senso da forma, Movimento, Real.
Assim como Aristóteles definiu como as quatro causas, isso é princípio básico para qualquer conhecimento de objeto e forma, nós definimos uma forma pela diferenciação dela de todas as outras formas, para isso temos como faculdade intrínseca a memória, e também o pensamento, de forma que podemos e dependemos desta capacidade para o conhecimento do “todo”. Se na ontologia estuda a essência do Ser, a Ônticologia estuda as características, formas e movimentos referente ao Ser.
EXPLICAÇÃO SEGUINDO ARISTÓTELES
Causa formal – Descrição: Própria substância de coisa, pela qual sabe-se o que é cada coisa. Aristóteles estava correto em afirmar que, só sabemos o que é cada coisa, pelo conhecimento da substância; e é nesse sentido que ele usa a causa formal; para conhecimento da substância. Substância – Etimologicamente, é “que está debaixo” ou o que permanece debaixo das aparências ou dos fenômenos. Substância é o que tem seu ser, não em outro, mas em si ou por si. O contrário de acidente.
Causa Material – Descrição: Enquanto a causa formal usa-se da ideia de substância, a segunda é a própria definição causal material do ente.
Matéria – Etimologicamente, Hyle: material, matéria.
Como estamos olhando para essa teoria, de uma forma à compor a percepção, iremos por um caminho um tanto quanto avesso a definição sugerida por todos outros que estudam esses conceitos. Vamos olhar para o Aristóteles que busca na natureza as respostas e as belezas que ainda perdura em sua mente. Como um biólogo ou um estudioso dos seres naturais. Portanto a concepção de matéria estaria dentro de um campo imaginativo muito maior do que a mera caracterização da estética.
Dependência Ontológica – Ser, percepção existencial, busca ou razão existencial.
Todos nós nos definimos de alguma maneira, não pela forma, mas sim pela razão ontológica da forma. Ont(o)- de ser existencial, como positividade em essência; – logia de logos – saber, ciência. O homem naturalmente tende a esse estudo como já expressamos, tendemos ao conhecimento da forma. Somos dependentes deste processo, de conceptualização do ser, seja para conhecimento próprio, quanto para conhecimento sapiencial. Não podemos confundir com o propósito de ser, isto não é pertinente ao objeto de estudo que é a percepção, também não pensemos que este estudo é sobre a realidade em si, pois como já disse, minha incapacidade por falta de recursos cognitivos de descrevê-la me impede de tal façanha e também pela minha pouca vivencia como ser.
Dependência Lógica – Tendência a classificação, ordenação e conhecimento de conceitos.
Se usamos na Ônticologia a memória e o pensamento, como forma de descrever o que se refere-se as causas referente as acidentalidades do Ser. Fazemos na lógica a sistematização e classificação tendendo ao verdadeiro com a lógica. Hoje tem a necessidade de referir-se a lógica como doutrina científica, quando é o contrário, a ciência nasceu do estudo da lógica. Portanto a definição própria de ciência é a de ser comprovadamente provada, de forma lógica e simples. Assim como a lógica, que só é válida quando é simples e coerente. Embora usamos a lógica como ferramenta para o verdadeiro, ela não é uma garantia total para alcançar tal verdade, mas é apenas um meio para alcançar em sentido mais baixo o conveniente, e para os mais dotados a busca pela verdade.
Dependência Matética – Esta dependência, é a mais complexa e a que completa todas as outras, que as faz compor um mesmo mundo. Ela é exibida pelo Filósofo Brasileiro Mario Ferreira dos Santos. E por ser a maior parte das percepções, não irei a detalhar aqui. Por enquanto vamos usar a definição própria do Mario Ferreira; Indicação de Leitura – Sabedoria das Leis Eternas; editado pelo filósofo Olavo de Carvalho.
Por tratar-se de dependência, há de se pensar que somos levados a estes processos de forma obrigada, e por consequência, passamos a pensar que a vida é à busca pelo conhecimento, a essas dependências. Logo, todo homem que não busca a intelecção, está fora de si, está com um rumo avesso à sua natureza? Seriamos injustos caso pensemos assim, pois a realidade é mais complexa que uma mera busca. Mas para fundamentar vou expor o que escreveu S. Tomás de Aquino, no livro “Comentário a Metafísica de Aristóteles”.
INTRODUÇÃO AO OBJETO DA METAFÍSICA
2 – Levanta-se uma objeção.
[Poderia parecer errôneo afirmar que todo homem naturalmente [aspira] ao conhecimento, porque nós vemos que muitos ou a maior parte dos homens não se aplicam a este estudo].
[Responde-se esta objeção dizendo que] nada obsta se os homens não se aplicam ao estudo da ciência. Frequentemente aqueles que desejam algum fim são impedidos de prosseguirem até aquele fim por alguma causa. Assim posto que todos os homens desejem o conhecimento, todavia não são todos que aplicam ao estudo da ciência, porque são detidos por outras coisas, os prazeres, as necessidades da vida presente e até a preguiça que evita o trabalho de aprender.
Aristóteles propôs isto para mostrar que a procura da ciência por causa de um objetivo que não apresenta utilidade [pratica], qual está ciência [da metafísica], não é vã, porque o desejo natural não pode ser vão.
Também não podemos pensar que, à não busca, é uma vida vã, pois como estamos falando de dependência, fazemos estes processos intelectivos naturalmente – continua o texto:
3 – Um sinal revelador de que todo homem deseja conhecer.
[O exame do sentido da vista revela o desejo do homem pelo conhecimento]. O sentido nos serve para duas coisas, para o conhecimento das coisas e para as utilidades da vida. E nós apreciamos os sentidos por causa de si mesmos, na medida em que são cognoscitivos, e também porque confere utilidade à vida. E que assim seja é manifesto pelo fato de que o sentido que nós mais apreciamos é aquele que é mais cognoscitivo, que é o sentido da visão, do qual gostamos não apenas para agir, mas também se em nada devemos agir. A causa disso reside em que este sentido da vista entre todos os sentidos é o que mais nos faz conhecer, e o que maior número de diferenças nas coisas nos demonstra.
Acredito que seja fundamento suficiente para crer, que não podemos simplesmente descartar modos operantes de vidas, seja em suas formas variadas. Não é possível analisar este contexto com um simples conceito de justiça, seja para com a justiça do saber, ou a paz mundial, pois a plenitude desses conceitos é exatamente a não ação humana em todos seus aspectos.
A ação é o principado de todas as coisas, porém não é exatamente o princípio dos mesmos.
É um fato que percebemos o mundo de maneiras variadas, porém, lhes digo que essa mesma variação, ainda sim pode ter uma forma, nós apenas não nos esforçamos para compreendê-la.
Percepção das Ciências
As ciências básicas, construída pelos grandes desde o princípio, tendem a estas dependências. Sempre pela busca do fundamento. O Filósofo Olavo de Carvalho diz que, os melhores conhecimentos ou as maiores inteligências, são por natureza circular. A natureza do círculo, reproduz a mesma ideia do Reino de Cristo, onde não importando o lado onde percorra, chegará ao mesmo local.
A dependência Ôntica com unidade do real é mais que a busca pela percepção, a tempos me pergunto o porquê de todos os filósofos e intelectuais falarem pouco de “percepção”, à justificativa que me cabe, é a de que todo conhecimento é por natureza perspectiva da realidade. Após contato com a Obra do Mario Ferreira pelo Filósofo e Olavo de Carvalho, percebi e compreendi que, há logos acima da realidade. Dizer acima é um pouco incorreto, o correto seria dizer que a realidade se sustenta por logos maiores, em extensão e intenção.
Sem entrar no mérito da ontologia, o ser Humano está interligado com esses logos. O Filósofo Olavo de Carvalho define que: a inteligência é a potência de conhecer à verdade por qualquer meio que seja. Embora, com ressalvas, o conhecimento da verdade não está diretamente ligado a um modo cognoscível, por exemplo: a Lógica tende ao verdadeiro, mas à verdade não está na lógica.
E assim também é nas ciências, ela tende ao verdadeiro, mas a verdade não está nela. Também não poderíamos assumir que ela não serve a verdade, mas podemos pensar por agora, que a verdade é a realidade. A um logos que não podemos recusar – a verdade é à realidade.
Os nossos sensos de percepção, analisam por natureza a realidade, e por consequência, chegam a verdade inevitavelmente.
S. Tomás de Aquino “Veritas filia temporis.” A verdade é filha do tempo.
O tempo, é a régua que coloca todos em um movimento, como o movimento das águas.
As águas são as possibilidades infinitas de pensamentos e conceitos.
É própria da ciência descrever esses conceitos, por isso, quando afirma um conceito o afirma definitivamente. Nós a descobrimos, desvelamos, não a produzimos.
Podemos concluir que a construção de uma estrutura para à percepção é o ato mais importante para o homem que busca a inteligência e sabedoria. O ato de enganar-se a si mesmo é erradicado quando entendemos as ferramentas que manipulamos, desde a visão, o tato e os esquemas de abstrações construídos, seja para qualquer fim.
A percepção como estudo pessoal, é o autoconhecimento ou à busca de si mesmo que os filósofos maiores buscaram.
Para finalizar esta tese, deixo a vocês à ferramenta que o Maior dos Brasileiro – Mario Ferreira dos Santos – desenvolveu: A Decadialética e suas 5 formas ou perspectiva.
Decadialética:
1 – Sujeito x Objeto
2 – Atualização x Virtualização.
3 – Possibilidades reais x Possibilidades não-reais.
4 – Intensidade x Extensidade.
5 – Atualização (e Virtualização) da Intensidade x Atualização (e Virtualização) da Extensidade.
6 – Razão x Intuição (Oposição no Sujeito)
7 – Conhecimento x Desconhecimento (Oposição na Razão)
8 – Atualização (e Virtualização) a Intuição x Atualização (e Virtualização) da razão.
9 – Conhecimento x Desconhecimento (Oposição na Intuição)
10 – Variante x Invariante.
Formas e concepções ou perspectiva da decadialética.
Pentadialética:
1 – Como UNIDADE em si.
2 – No TODO do qual é elemento.
3 – Na SÉRIE a qual pertence como etapa.
4 – No SISTEMA em que se integra FUNCIONAL e TENSIONALMENTE.
5 – No UNIVERSO, considerando de maneira ESQUEMÁTICA e ou ABSTRATA.